ano pessoal sem carro

como vocês devem saber, hoje acontece, em várias cidades, o Dia Mundial Sem Carro. eu acho a iniciativa bem bacana, embora esse ano eu não possa participar – afinal, to aqui fazendo meu próprio projeto “ano pessoal sem carro”. em 2013 minha irmã se mudou para São Paulo e no comecinho do ano eu e o Jorge nos mudamos para um apartamento que fica a menos de três quilômetros do trabalho dele. como o carro era meu e da minha irmã e eu trabalho em casa, decidimos vender o carro, cada uma ficar com a sua parte e depois ver o que fazer.

eu e o Jorge sentamos, fizemos as contas e vimos que pra nós, não valia a pena ter carro por enquanto. porque afinal, quando você tem um carro, você não paga só pelas prestações do veículo – tem também seguro, gasolina a preços exorbitantes, estacionamento, eventuais multas, IPVA e a vida fazendo umas piadas sem graça com você. ano passado, por exemplo, eu tava parada num sinal vermelho e veio um espertão a 60km/h pra embucetar a traseira do meu carro. amassou a lataria, estragou o radiador (porque eu bati no carro da frente), gastei uma grana no hospital fazendo exame pra ter certeza que minha coluna não tinha saído do lugar, perdi encomenda porque não conseguia nem me mexer direito de tanta dor e ainda demorei um ano pra conseguir que o cara me pagasse pelo Juizado Especial. delícias de ter carro.

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com todos esses custos embutidos e sem a absoluta necessidade de ter um veículo pra resolver a vida diariamente, resolvemos usar ônibus, bicicleta (no caso do Jorge, já que eu sou uma pata de 26 anos que ainda não sabe andar de bicicleta) e eventuais táxis, quando necessário – e ainda assim a conta sai bem mais barata que ter um carro.

uma coisa que eu percebi desde janeiro é que, tendo veículo, a gente depende dele muito mais que precisa. pega o carro pra fazer qualquer coisinha que precisa resolver na rua, mesmo que seja perto. eu tenho sorte, porque quando é absolutamente necessário  (tipo pra fazer entrega de bolo de casamento de três andares), consigo pegar o carro emprestado com a Debs, com o meu cunhado, com bons amigos dispostos a ajudar.

mas por exemplo, eu sempre ia ao mercado pertinho de casa de carro. é melhor pra quando tem que fazer compras maiores e coisas mais pesadas, mas eu simplesmente aprendi que eu consigo carregar um bom tanto de peso por umas cinco quadras até chegar em casa, e também descobri que tem um ônibus aqui do ladinho de casa que pára do lado de um mercado. às vezes vejo as pessoas me olhando como se eu fosse boba por pegar ônibus pra andar só dois pontos, mas veja só, to ali comprando saco de 5kg de açúcar e farinha sem precisar de carro.

sem o carro, eu também passei a reforçar (um pouco por necessidade, claro) a importância de comprar em pequenos negócios ou negócios mais próximos. sem carro pra ir no Mercado Municipal sempre que eu preciso, eu me obrigo a ir na feirinha de rua que tem a uns dez minutos de casa toda sexta-feira. se eu preciso de comida ou areia pra gata, tem um pet shop aqui pertinho. descobri que tem uma pizzaria do lado de casa que é ótima. tem a lojinha de  cerveja que abriu na frente de casa que tem os preços bons e eu não preciso ir até o centro pra encontrar coisa legal.

mesmo assim, tem algumas coisas que requerem um esforço maior. a gente agora mora em um bairro que só tem mercados mais ~classe A, o que é ótimo para algumas coisas, mas é deprimente quando você vê frutas e vegetais num preço ridículo. então eu simplesmente aprendi a me esforçar um pouco mais: uma ou duas vezes por semana eu pego o ônibus e vou pro centro de Curitiba, onde tem hortifruti, sacolão, padaria e loja de queijos com preços ridiculamente baratos e bons produtos. pago menos que a metade do preço do mercado, compro em negócios familiares e volto pra casa de ônibus.

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outra coisa que eu percebi que me tranquiliza muito mais é que, como eu não estou dirigindo, eu não preciso ficar me estressando com os motoristas estúpidos dessa cidade (e ssassinhora, como tem motorista ruim) e posso simplesmente gastar o meu tempo em trânsito lendo um livro.

eu sei que sou privilegiada porque trabalho em casa e posso fazer meu próprio horário e escolher pegar o ônibus nos horários mais vazios

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mas mesmo que não fosse assim, acho que vale a pena repensar um pouco como a gente usa o carro. às vezes você não precisa usar pra tudo que você usa atualmente. às vezes vale a pena pegar um ônibus que demora dez minutos a mais e não ter que procurar vaga e nem pagar por estacionamento. às vezes vale a pena andar um pouquinho pra resolver alguma coisa na rua porque, ué, andar faz bem e ainda é de graça. muitas vezes eu sinto falta de ter um carro, mas pelo menos hoje em dia eu sei que não preciso de um pra resolver tudo que eu preciso.

Bridezillice hardcore

Quando eu casei eu fiquei bem loucona. As outras moradoras dessa casa que o digam – acompanharam surto choroso até por tecido de toalha de mesa. Ficar loucona quando você vai casar é normal. Aquela historinha toda de dia mais importante da sua vida deixa a gente razoavelmente ansiosa, né?

Uma outra coisa que a gente fica quando casa é brega. A gente tem umas ideias de jirico e acha sen-sa-cio-nais, uma coisa louca. Já vi cada uma, sabe? Tipo noiva com buquê maior que o vestido e noivo com terno ~fruta cor, noiva com síndrome de debutante que troca de vestido trinta vezes durante a festa (eu não sei como elas conseguem tempo), coisas exageradinhas no nível.

Eu casei até que comportada, mas tive meus momentos. Meu sapato parecia de drag queen, tive noivinhos caricatura no bolo e meu noivo tava de Converse e colete. Eu ainda acho isso sensacional – tem gente que acha brega. Gosto é gosto e é que nem braço: tem gente que não tem bunda: cada um tem o seu. Por isso mesmo, decidi que não criticava mais noivas e me reservava a rir sozinha de algumas coisas que achasse ridícula porque tudo faz parte mesmo da realização do sonho e yadayada…

Mas, sabe, gente tudo tem limite.

Quando você acha que é muito importante GRUDAR O SEU BEBÊ RECÉM NASCIDO NO RABO DO SEU VESTIDO VERA WANG, você está precisando de tratamento, de ajuda, de amor, de uma amiga pra falar que não é uma boa ideia:

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Os meus sentimentos ao ver essa imagem são os mesmos desse senhor do lado direito da foto olhando para esse neném que já saiu do útero pra entrar na história:

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Enfim, hoje eu gostaria de deixar três mensagens:

1. Não grudem bebês no vestido.

2. Não deixem suas amigas grudarem bebês no vestido.

3. Não importa o ridículo que sua mãe tenha te feito passar na vida, não foi pior que isso então abrace a mamys hoje e diga EU TE AMO, OBRIGADINHA.

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Claro que eu vi isso no Buzzfeed.