5 receitas pra te salvar

depois de algumas semanas de Curitiba achando que era uma cidade feliz que não sabe o que é inverno, estamos entrando na primavera de novo com frio – com ele, a preguiça eterna de uma mente com sinusite. pois bem, esse post é pra dar ideia pra quando você tá naquela pregs absurda e com zero criatividade.

aqui em casa quem cozinha normalmente é meu namorado – eu já trabalho na cozinha o dia inteiro e ele é bem melhor nas panelas do que eu, mas às vezes eu dou uma folga pra ele (ou simplesmente to com preguiça de lavar louça depois, já que aqui o “se eu cozinho eu não lavo” impera e eu inevitavelmente acabo com uma pia cheia de louça pra lavar). como eu não sou lá a maior especialista em pratos salgados, eu dependo de algumas receitas boas, fáceis, simples e deliciosas pra me salvar nesses dias, e acho que elas podem salvar vocês também : )

* frango com limão rosa e páprica

frango_limao_paprica_ moldando afeto

a receita e esse prato lindo por favor alguém me dá são do Moldando Afeto. o negócio é rápido, fácil e fica muito saboroso. o frango não fica seco, o molhinho (que o forno faz sozinho, sem nenhum esforço) é uma delícia pra comer com arroz, é uma receita muito fácil. fica bem bom com arroz basmati (que eu acho mais saboroso que o arroz branco e cozinha super rápido) e uma saladinha. dez minutos na cozinha e você deixa tudo pronto, o resto o forno resolve – quase uma refeição de 15 minutos do Jamie Oliver, mas essa eu juro que dá pra preparar em 15 minutos de verdade.

* nhoque de ricota com molho amanteigado

nhoque de ricota technicolor kitchen

nhoque. manteiga. limão. tomilho. não tem o que dar errado. essa receita é do maravilhoso Technicolor Kitchen e eu já fiz muitas vezes. o nhoque é super rápido de fazer (a parte mais demorada é fazer os rolinhos e cortar, mas, sinceramente, eu acho super divertido fazer isso), o molho é super simples e absolutamente delicioso – e dá pra fazer com qualquer outro molho que você tiver em casa/quiser fazer, claro. eu sempre esqueço de fazer isso, mas sempre dá pra dobrar a receita e congelar o que sobrar pra ter nhoque prontinho pra quando bater o desespero : )

* frango com 40 dentes de alho

chicken with 40 cloves of garlic korean american mommy

eu sei que o nome é um pouco assustador, mas juro de pé junto que fica bom. o alho cozinha por  bastante tempo, derrete e vira parte do molho desse frango delicioso. é claro que fica com bastante sabor de alho, mas não é uma coisa “eca, tem alho demais nessa parada”, é tipo “NOSSA QUE MOLHO MARAVILHOSO TEM ALHO AQUI, NÉ?”. essa receita demora um pouquinho pra ficar pronta, mas o fogão faz todo o trabalho, você só tem que ter um pouquinho de paciência. a receita rende pra caramba, mas sempre dá pra fazer menos ou fazer a quantidade inteira e congelar o que sobra, né. sem drama, só muito alho e amor.

* ovos no purgatório

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na verdade eu vou admitir que to compartilhando a receita mas, quando eu fiz esse prato, eu fiz meio na raça, no xablau. mudei alguns dos temperos, fiz com tomate pelado em lata em vez de tomate “de verdade” (se bem que acho melhor não fazer com molho/extrato de tomate, porque é legal que fiquem pedacinhos do tomate, sem dizer que fica muito mais gostoso), mas é basicamente isso: você faz um molho de tomate bem encorpado, apimentado e saboroso, joga uns ovos lá no meio, deixa a clara cozinhar e a gema ficar molinha, pega um pão crocantinho e gostoso e come potiando o pão nesse molho maravilhoso. é bem feliz, bem rápido e bem simples.

* focaccia di recco

focaccia di recco food wishes

ok, novamente, tenho que admitir que to meio que mentindo. eu nunca fiz essa receita aqui em casa – a gente já comeu isso umas quinze vezes e sempre foi o Jorge que fez, mas é tão fácil e tão rápido e requer tão pouca prática que até eu conseguiria fazer sem a supervisão de um adulto, juro. isso aí fica ridículo de bom recheado com queijo e fazendo um “sanduíche” com rúcula, como ele ensina no vídeo, mas também dá pra usar como massa de pizza ou fazer a focaccia recheada com o que você bem entender, porque a massa sempre fica crocante, saborosa e linda. a massa rende bastante e sempre rola fazer uma sobremesinha com recheio de ❤ goiabada ❤ e queijo ❤ – mas também dá pra guardar o restinho da massa na geladeira e usar outro dia. ah, a massa só leva farinha, azeite e água (é ótima praqueles dias que você não tem porra nenhuma na despensa), então é só fazer o recheio sem queijo que vira uma pizza/focaccia linda, deliciosa e vegana : )

ps: todas as fotos do post são dos posts originais, devidamente linkados!

ps2: se alguém quiser alguma das receitas e tiver alguma dúvida ou não ler em inglês, avisa nos comentários que eu traduzo/ajudo 😉

Come shimeji na manteiga sim

Esses dias fui em um restaurante e pedi pela primeira vez na minha vida um Shimeji na manteiga. Assim como quando o Bandeira viu a moça nuinha, “foi meu primeiro alumbramento”.

Aí, o marido comprou shimeji pra fazer um risoto afrescalhado (olha minha cara de quem sabe fazer risoto afrescalhado) e, bem, tinha shimeji, manteiga e internet sobrando. Achei que era dessas receitas complexas nipônicas que eu nunca saberia fazer, mas não é. É mais fácil que miojo.  Improvisei baseado no que eu li:

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Ingredientes
– Punhadinho de shimeji
– Duas colheradas de manteiga com sal
– Uma colherada de açúcar
– Duas colheradas de shoyu
– Punhado de cebolinha

Modo de preparo:
Derreta a manteiga em fogo alto. Derreteu? Taca o shimeji e vai mexendo ele por uns dois minutos, pra fritar por inteiro. Mexe com aqueles pão-duros de silicone – eles não soltam lasca, não impregnam, não deformam a comida e não derretem. Eles são seus amigos. Depois, põe o açúcar e as duas colheradas de shoyu e deixa mais uns dois minutos, pra reduzir. Vai virar um caramelinho delícia. Tira do fogo, joga a cebolinha picada em cima e tá pronto.

É fácil. É rápido. É chuchu beleza. É tão bom que faz nem meia hora que eu comi isso e já quero mais. Na próxima, vou colocar lascas de cebola e ver o que rola.

Você deveria comer pão de mel com calda de laranja

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Eu não sou lá muito a melhor cozinheira dessa casa, ainda mais que temos Juju Guedes entre as moradoras. Sou péssima em seguir receitas, pior ainda em memorizar o que já fiz. O caso é que vez ou outra eu misturo coisa que não nasceu pra viver junta e talho leite com cítrico, meleco carne com queijo demais… Essas coisas. Mas, sem falsa modéstia, vou dizer que ultimamente quando dou meus pulos mais acerto que erro.

Tipo essa semana, em que eu fui no sacolão bem louca e comprei quiiilos de frutas, cheguei em casa e descobri que ainda tinha muita coisa da semana passada. Como não tô podendo com desperdício nessa vida, resolvi que alguma coisa deveria ser feita e pensei em geléia. Dei uma olhada nas internês em como se faz uma receita de geléia e achei curioso que não vi nada sobre hortelã com laranja (o que pra mim é lógicamente combinável). Mas aí eu lembrei que sou o único ser humano que não gosta de geléia na face da Terra e que fazer uma seria bem idiota. Por outro lado, quão incrível isso não ficaria como calda sobre um bolo? Hmmm. Enfim, a resposta é: muito.

Ficou bem delícia e eu ensino o que lembro:

Quase geléia pra jogar em cima de bolo da Debs
– 4 laranjas cortadas em fatias
– 2 limões rosa cortados em fatias
– punhadinho de hortelã
– punhadinho de cravo
– 2 pedaços de canela em pau
– 1/2 kg de açúcar
– água (bem bastante)

Vai fazendo assim:
– Ferva as frutas, a canela e o cravo imersos em água, cozinhando-as e adicionando mais água quando estiver quase acabando (muito cuidado pra não queimar).
– Depois de completar a água lá pela terceira vez, adicione mais água, o açúcar e a hortelã bem picadinhazinha
– Deixe cozinhar e vá mexendo vez ou outra e completando com água conforme essa secar. Seu objetivo é uma melequinha grudenta e bem doce, mas não uma geléia.

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Sobre meu fogão: tá sujo, mas tá quitado

Quando ficou pronto eu achei que o cheiro lembrava a algo que combinaria com mel e que eu tinha um pó pra preparo de pão de mel daqueles de caixinha em casa. Se você acha que eu faço bolo do zero nessa casa, saiba que não matei meu pai a soco pra me punir com esse tipo de sofrimento. Combinou e ficou Ben10, bem combinadinho com esse frio desumano que tá fazendo em Chuvitiba.

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Perfeito pra acompanhar o café da tarde.

Ah, a mistura de bolo que eu usei é da Fleischmann, minha marca favorita pra essas coisas de caixinha. Se você é que nem eu e tem um toque de Rei Merdas conseguindo estragar até bolo de caixinha, minha mãe me ensinou na semana passada que se você bate os ingredientes “molhados” (leite, ovos, manteiga) antes de adicionar os secos (o pó da caixinha mesmo) o risco do bolo solar é quase nulo – tá super funcionando pra mim.

Lorraine Pascale me salvou de me perder

Quando eu casei descobri algo novo sobre mim: eu gosto, bastante de frescurinhas. Super previsível, né: adoro roupa nova, combinar cor e textura, maquiagem bonita e colarzão. Nunca tive a pira do “precisa ser caro”, mas desde que comecei a ser mais independente tenho essa paixão pelo belo. Óbvio que quando eu tivesse minha casa eu iria refletir essa parte de mim.

Sai louca, tacando cor forte nas paredes, comprando cobertas e louças bonitas e, no primeiro dinheirinho sobrado, minha amadíssima batedeira planetária chegou ao seu lar.

Agora, imagina a comunidade assistindo isso na minha casa: eu, que cresci ouvindo “não sabe nem lavar a louça, nunca vai casar”, “esse quarto cheio de roupa jogada, nem parece mocinha” e “queima até arroz essa menina, nunca vai ter jeito”, ali brincando de prateleiras irregulares com enfeites charmosos na sala e batendo bolo de frutas silvestres na planetária? Todo mundo entrou meio em choque. As pessoas iam na minha casa e falavam “serio, você que fez isso?”.

Era demais, as visitas vinham e eu fazia um bolo de morangos com framboesas. Um assado decorado. Um buffet com perfeição. Pra mim, era meu jeitinho de falar “amo vocês, olha a frescurinha que fiz pra amar vocês aqui, tão se sentindo bem amados? Ai, como eu amo vocês”.

Só que, por algum motivo muito louco, na nossa sociedade as pessoas se assustam com a frescurinha, acham meio opressora. Sabe quando tem aquela amiga que sempre se veste bem e todo mundo acha cansativo ficar do lado dela porque é como uma cobrança pra estar igual? Ou aquela que decora ou cozinha: você vai a casa dela e em vez de pensar “uau, olha o que essa linda fez pra mim”, pensa “cacete, e lá em casa eu servindo pão com Doriana, nunca que eu convido essa mulher lá”. Então, todo mundo pensa assim. Todo mundo acha que o mundo fica girando, ali, em volta do próprio umbigo.

Aí começou a ficar desagradável. Comecei a receber convites pra jantar e lá vinha um “Mas ó, é coisa simples, viu? Não é igual seus jantares!”. Convidava e ouvia um “Mas, ó, sem frescura viu? Pode fazer um cachorro quente”. Mano, eu amo cachorro-quente, mas é tão frustrante quando você se anima pra servir seu melhor prato na melhor louça e a pessoa fala “ahhhh, que frescura, cara!”. Serio, não é legal dizer isso. Não digam isso.

Enfim, eu que sou a Rainha Debora do Ouvir aos Outros e Se Importar Demais Bragança e Silva me apaguei um pouco. Parei de cozinhar. Relaxei na decoração. Fui deixando de lado mesmo. Confundi tudo.

Mas a reflexão pode morar nas coisas mais engraçadas. Hoje, liguei a TV no programa da Lorraine Pascale e ela estava ensinando a fazer coisas fabulosas. Coisas que eu olhava e pensava “aí, que demais… Mas não. Não vou fazer, não tenho pra quem fazer isso”. Até que ela disse a frase:

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“Everyone deserves a posh meal once in a while”

Everyone. Todo mundozinho. E todo mundo inclui… Eu. Poxa, Lorraine, obrigada. Dez segundos depois que você disse isso eu percebi que abandonei um dos hobbies mais amados por mim pra não chatear as pessoas com… Me importar demais?

E, sabe, às vezes a gente se importa demais com o que não é pra gente e acha que o que fazemos pra nós mesmos é pros outros. Eu sempre achei que minha casa bonita e bem decorada e meus pratos afrescalhados eram pros outros. Sim, são. Mas não são. São minha forma de me expressar e ser feliz. São pra mim. E não são obrigação – se der preguiça sempre haverá o cachorro quente.

A gente precisa mesmo parar de achar que tem que todo mundo andar na mesma fila. Que a amiga bonita é bonita pra cobrar a gente, e não porque ela gosta de ser assim. Se você se incomoda ou é porque não se permite se embelezar (e permita-se) ou porque não gostaria de ter (então não faça). A casa linda da colega é dela pra ela. Se você se incomoda pode ser porque você quer também (então enfeite sua casa, leia blogs e revistas de Decor – você vai amar) ou porque não se importa e não quer se importar (então simplesmente não se importe). Nós merecemos o que queremos. E não merecemos ter de fazer o que não queremos. Nós precisamos de parar com essa pressão horrorosa – se a gente coloca mais energia em fazer o que gosta em vez de tentar agradar os outros e reparar no que os outros fazem a coisa fica melhor, acredite.

Precisamos parar de achar que os outros fazem pela gente. E parar de se importar com o que os outros vão pensar. Com como vão interpretar. Veja, de tanto me importar com a opinião dos outros eu cheguei a conclusão que um prato rococó com um molho bonito são ofensivos. Poxa, que viagem!

Enfim, eu gosto de ser uma fresca. Eu me amo assim. Tenho amigos que amam também e valorizam quando eu faço isso pra eles. Quem não ama? Bem, pode lidar. A terapia está logo ali para tratar tudo que te irrita. Eu faço, amo e adoro!

E acho que assim que sair da cama (tô de molho proibida de andar por uns dias) estarei na cozinha batendo um belíssimo bolo com chocolate maltado. Obrigada Lorraine por me lembrar do que eu gosto. Receita na imagem pra quem quiser se aventurar ;).

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