vai ter sim, se reclamar vai ter dois

tem gente aqui que me conhece do deborices, gente que me conhece daqui mesmo, gente que lembra da época do fashion descontrol, gente que veio parar aqui depois de ler o novo deborices e sabe o que isso quer dizer? que eu já tive blog pra cacete.

não é que eu seja vira casaca nessa questão, veja, o meu problema é sempre o mesmo: eu realmente me importo demais mesmo com o que as outras pessoas vão dizer, o tempo todo. sofro as dores do mundo nisso e tento todos os dias acordar e prometer pra mim mesma que não vai ser assim, mas nunca é.

nesse pacote de sofrimento desnecessário entram pequenas coisas que eu posto no blog, como looks do dia e artigos de moda (que eu adoro). a moda, veja você, pra mim é uma arte desprezada exatamente por ser feminina. a Ju me mandou um texto sobre isso inclusive e eu concordei de cabo a rabo. o caso é que no mundo da pintura ou da gastronomia nós temos homens notáveis então essas são consideradas artes legítimas. mas a moda sempre foi muito mais sobre mulheres, logo sendo associada a futilidade. quando você analisa de perto não tem muita diferença em usar cores e formas pra se expressar em uma tela ou nas suas roupas, né?

mas mesmo que a gente racionalize algo é difícil convencer o coração a parar de se sentir mal e eu, sim, me sentia fútil postando look do dia, me sentia malzona mesmo. ainda me sinto às vezes. mais ainda porque pessoas cuja inteligência eu realmente admiro vivem falando coisas contra tirar fotos de você mesma e quando eu ouço essas pessoas me sinto mais burra segundo a avaliação delas. então, por não saber lidar com isso, deletava os blogs que tinha, recomeçava e, quando via, tava fazendo look do dia de novo e me sentindo burra de novo… vocês entenderam, né? um ciclo.

acontece que chega uma hora que ser feminista significa saber libertar você de você mesma. por exemplo, eu gosto de moda e ninguém tem nada a ver com isso. eu posso me permitir isso sem me entregar a dicôtomia do burra mas bonita x feiosa mas inteligente. eu posso me permitir criar o belo enquanto leio meu Guimarães Rosa sem ninguém ter nada com isso.

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mas daí quando você resolve parar de se importar acontece uma coisa engraçadissima: você passa a ser o incômodo. você incomoda com o fato de que quando você tira uma foto de você mesma você se sente bonita, você incomoda porque mulher empoderada incomoda. mulher segura de sí incomoda.

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e não precisa ir muito longe pra ter exemplo disso.

veja, é um caminho longo, algo do qual eu não me livrei totalmente ainda e nem sei se vou me livrar, mas é um exercício ótimo. afinal, um homem pode passar sua vida sem se questionar se ele é bonito e adequado a sociedade, mas a mulher… pra gente é mais difícil porque nós somos cobradas a sermos bonitas mas ensinadas que achar que você atingiu essa beleza é uma coisa muito feia. e a gente é ensinada assim tão profundamente que a gente também tem que se sentir péssima, mal, acabada quando alguém elogia a gente pela escolha de roupa, pela cor do cabelo ou qualquer coisa assim. a gente não pode se gostar porque se gostar significa que sua opinião é que você tá ótima e que quando alguém tentar te controlar pelo seu peso ou escolha fashionista você pode falar ‘foda-se’ e não deixar-se dominar.

daí vem uma outra corrente que diz que o look do dia é buscar aprovação e, sabe, algumas meninas realmente fazem por esse motivo. mas o que há de errado, por que devemos nos sentir mais burras ou piores por querermos uma aprovação de vez em quando? não é o que todo ser humano quer? um elogio? um abraço? fomos condicionadas a buscar por isso e agora vamos tacar pedras nas irmãs que fazem abertamente?

e tem outra: nem todo mundo faz pela aprovação. eu já fiz pela aprovação, sinto bem a diferença. quem faz pela aprovação não usa o que gosta. eu faço porque, oras, porque eu acho que eu me visto bem pra cacete e eu quero mostrar. quem escreve pode querer ser lido. quem canta pode querer ser ouvido. e quem tem como passatempo se vestir pode querer fotografar isso. isso não é tao difícil de compreender, né?

então, eu digo assim: vai ter look do dia no meu novo blog, vai sim. se reclamarem vai ter todo dia só pra provocar. só pra eu sambar na cara de quem acha que pode controlar meu corpo e como eu o adorno e o fotografo e quanto prazer eu tenho em ver a minha figura. só pra mostrar que você não manda em mim, não. se quiser me chamar de burra e superficial por isso, eu te digo: superficial é você que viu uma foto minha e já acha que sabe tudo sobre mim. posso ser mais burra em algumas coisas e mais inteligente em outras mas sobretudo sei que não é uma foto minha me amando que vai definir esses meus traços, mas todo um conjunto de outras coisas que não te dizem respeito. aliás eu nem tenho obrigação de ser isso ou aquilo só pra te agradar.

e minha opinião sobre look do dia é a mesma que eu tenho sobre cabelo colorido, sobre sexo, sobre casamento gay, sobre drogas, sobre dar pra cidade inteira, sobre usar uma mini saia do tamanho de um cinto e um top bem anos 90, sobre fazer scarnification e botar um chifre no meio da sua cara, sobre largar seu emprego em uma grande corporação e ir viver nas cavernas ou viajar o mundo, sobre não ter filhos, sobre ter dez filhos, sobre tudo que você faz consigo mesmo nessa vida: você não gosta, amigo? não faz. mas não vem mandar no meu corpo nem do mais ninguém. supere suas neuras e me deixe viver.

vai ter look do dia sim. se chorar vai ter dois, três, quatro, cinco mil. eu vou me empoderar sambando na avenida se for isso que eu quiser. beijo pro recalque.

stop

(e eu já postei o primeiro no meu blog novo.)

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florzinhas <3

talvez vocês não saibam, mas um dia eu serei ridiculamente rica. por isso, enquanto só estou na modesta classe média brasileira, aproveito pra passar os olhos pelas coleções que um dia poderei comprar. ando um pouco chateada que tão fazendo umas coleções que nem se eu fosse riquíssima aceitaria pagar um centavo (tecido duro? chinelo de dedo com plataforma? vestido sem cintura? vestido de festa ~esporte?), mas as coleções de primavera sempre provam que a vida pode ser bonita e floridinha : )

oscar de la renta primavera 2015

oscar de la renta primavera 2015

OLÁ PEITOS

OLÁ PEITOS

naeem khan primavera 2015

naeem khan primavera 2015os dois primeiros são Oscar de la Renta e os últimos três são Naeem Khan. aceito qualquer um de presente.

Stop the beauty madness

A Britney de Santo André, Miss Borboletando, me convidou pro#desafiocaralimpa e aqui estou. É difícil me ver sem maquiagem e é bizarro porque… Eu nasci sem isso?

Quando comecei a fazer terapia e enfrentar minha depressão uma ferramenta que me ajudou foi ler blogs de beleza. Me fez descobrir que me enfeitar não me deixa mais burra e me abrir contra a dicotomia da futil gostosa x a feinha inteligente. Descobri que passar um batom não derrete meu cérebro e que fazer look do dia não me faz estúpida. Descobri que qualidades podem coexistir desde que a gente não aceite os rótulos. Foi uma das minhas primeiras libertações. Mas também foi uma prisão que me fez pensar que eu deveria seguir alguns padrões que, bem, não são obrigatórios. Confuso, né? Confesso que o conforto de me encaixar em uma turma pela primeira vez na vida foi a cilada.

Mas hoje sei e tenho orgulho de ser linda como todas somos e tomar consciência disso a cada dia. Acho que ser mulher na nossa época é conquistar o direito de testar e se descobrir – já faz um ano, por exemplo, que venho me desintoxicando passo a passo, do consumismo como forma de me fazer ser aceita. Não preciso ter o batom e a bolsa certa pra ser amada por ninguém. Essa semana, por exemplo, parei de seguir tudo que me incentivava a consumir mais do que a pensar. Isso não significa não comprar roupas e maquiagens e ler blogs de estilo, apenas selecionar os que são escritos para quem gosta e não para quem usa isso como guia de fuga da realidade. Faço marketing de conteúdo e gosto de ter esse cuidado com meus clientes também, acho que é meu papel como cidadã trabalhar com ética e sem vender a alma para a armadilha de destruir a auto estima da mulher para fazê-la comprar. Acredito muito mais em empoderamento. Acho também que o mundo esta mudando nesse sentido, ainda bem.

Tirar a maquiagem não deveria ser um desafio nem um alivio, deveria ser algo normal. Nascemos sem mascaras. Não precisamos delas para nada. Se sua forma de me incentivar a cumprir esse desafio é dizer que eu nem preciso de maquiagem (um comentário comum) saiba que eu agradeço mas a verdade é que isso não é elogio: ninguém precisa de maquiagem. Não existe uma beleza base que não precisa se mascarar, esse padrão excludente provoca com que quem não se encaixa use a maquiagem como disfarce para ser igual. Igual é entediante. Todas somos lindas do jeito que somos, da forma que temos, a beleza maior é a diversidade. Usamos porque gostamos.

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A maquiagem, como todas as suas atitudes, deve ser algo pra você e não pra se adaptar ou encaixar na idealização do outro. Foi uma longa caminhada racionalizar isso e os sentimentos ainda me traem quando tento praticar. Mas um passo de cada vez é o que nos torna mulheres cada dia mais livres.

Desafio minhas companheiras da Casa, mulheres que me ensinaram a amar ser quem eu sou e me aceitaram independente de expectativas, a participar: Wiczneski, Sheilla, Julia e Pri estão convidadas, caso queiram.

Quem quiser mais informações sobre o projeto pode visitar o site e participar também. Stay beautiful & strong!

Sim, meu cabelo está rosa

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Vocês sabem que grávida não pode pintar o cabelo, né? Eu pesquisei e diz que o porque é que pode dar uma reação alérgica no bebê, principalmente nos três primeiros meses (quem souber melhor, me corrija). Como eu tô pensando em engravidar novamente logo e vivo trocando de cor de cabelo, conversei com minha cabeleireira sobre voltar pra cor natural – a saber, castanho claro ou loiro escuro indefinido.

Já tava até agendada a data quando, navegando pelas internês da vida, me deparei com algumas fotos que fizeram meu coração pular uma batidinha:

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Comecei a matutar sobre o cabelo rosa, mesmo pensando que era loucurinha demais pra mim. Mas, depois de pensar por um tempo, percebi que:
_ Já pintei o cabelo de ruivo cobre, ruivo cereja, preto, preto azulado, loiro, loiro platinado, chocolate, mas NUNCA TINHA USADO COR FANTASIA, e, bem, tava na hora de passar essa barreira.
_ Nunca tinha usado cor fantasia por medo de não ter emprego (sou empresária), por medo dos meus pais não deixarem (não moro com eles faz quase 4 anos), de eu não gostar (cabelo cresce e se pinta de novo), de ficar ruim (a Mahara nunca errou nada no meu cabelo), do que vão pensar (e deixa que diguem que pensem que falem).
_ Rosa é bonito pra cacete.

Liguei pra Mahara, agendei o horário, e, pra tomar mais coragem, não contei pra mais ninguém que ia fazer loucura capilar nova. Dois dias depois, tchãnaaaam…

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Nenhuma edição nessas imagens – essa é a cor da vida como ela é!

Pra quem já pinta o cabelo de cor fantasia faz um tempo, eu imagino que isso seja um grandessíssimo “tá e daí?”, mas pra mim foi uma das coisas mais legais e libertadoras que eu já fiz. Digo que a sensação é mais ou menos a mesma de quando eu fiz minha primeira tatuagem, de quando eu saí de casa, de quando eu fiz o meu primeiro piercing, de quando eu mudei de carreira, de quando eu resolvi que não precisava mais fazer dieta idiota, de quando combinei meia xadrez com vestido de bolinha, de quando adotei quatro gatos, de quando parei de alisar o cabelo pela primeira vez, de quando eu resolvi que ia ter 12 madrinhas no casamento sim, de quando resolvemos ir de carro pro Uruguai, de quando resolvi fazer bundalelê pra agência dos outros e me jogar num projeto próprio e, enfim, de várias decisõezinhas e decisõezonas dessa vida que querem dizer apenas uma coisa:

Talvez eu esteja passando por uma adolescência tardia com essas coisas que tenho feito (o Tolkien tem um conceito de vintolescência tão perfeito pra mim!) mas eu ando muito agradecida de poder descobrir essas pequenas liberdades e ter direito a aprender a ser dona de mim mesma ainda aos 26 aninhos. É bem libertador e ao mesmo tempo refrescante ainda ter essa sensação em uma idade pra qual meus planos eram ter doutorado, marido respeitável e dois filhos (pouquíssima auto cobrança, né?).

Mesmo assim, não, não foi uma revolta contra o sistema capitalista-judaico-cristão, nem uma vontade de chocar. Foi uma questão de “eu gosto de rosa, deveria passar no cabelo, fica bonito” e fim. A realização é mais em me sentir bonita assim e depois em perceber que posso fazer essas loucurinhas sem dever nada pra ninguém, mas nunca na sensação que causo nos outros, eu acho.

Eu fico feliz com essa evolulção porque minha primeira tatuagem, por exemplo, eu confesso que foi feita “para os outros”, para ficar com cara de menina ~descolada – tanto que é a única que eu tenho vontade de rabiscar por cima porque não tem nada a ver comigo (quero manter a ideia, mas os traços são muito jacus). Eu já aprendi faz um tempo que essas coisas tem que ser feitas pra gente, que se enfeitar é um processo de agrado em você mesma. É aquela coisa: tá rosa porque rosa eu acho bonito, talvez um dia fique turquesa, talvez um dia volte a ser castanho, a única certeza é que sempre vai ser bonito pra minzinha <3.

Como pessoa que ama loucamente modificações corporais, eu digo que aprendi que elas são uma forma de expressar o que vai por dentro da gente, uma forma de deixar claro o que sentimos e devem sempre ser feitas porque a gente gosta de se ver desse jeito, nunca porque o outro quer ver. Isso é muito imporante e faz toda a diferença mesmo na hora de fazer qualquer coisa na vida, seja no nosso corpo ou, sei lá, em qualquer outra área. Enfim, eu tô feliz de poder mostrar no meu cabelo que eu tô afim de ver a vida de um jeitinho mais cor de rosa <3.

No mais, algumas informações técnicas sobre o processo todo:

–  o tonalizante utilizado foi o Keraton Hard Colors na cor Panty Rose. A Thaís do Poá e Glitter usou o mesmo, mas diluiu no Creme branco e conseguiu um rosa bem mais clarinho.

– a técnica utilizada foi o Ombré, mas foi meio que um xunxo. Eu já tinha Ombré hair desde janeiro, retocado só uma vez no ano. A Mah, essa santa, tonalizou por cima do Ombré, criando um Ombré pink adorável <3.

– de início, eu queria um rosa mais assim, mas a Mahara disse pra mim que essa tinta não existe no Brasil. Engraçado que na foto com filtro do começo desse post, o cabelo tá dessa cor. Dessas coisas de Pinterest mesmo, né?

– dá pra aplicar em casa? Sim. Tem mil tutoriais pela internet. Mas também tem a Mahara lá que é minha fiel escudeira, dona do salão que transformou meu cabelo preto azulado em cobre, que mudou minha cor mais de dez vezes em dois anos sem nunca deixar com quebra, desidratado, feio, sem corte, com corte químicou ou uma mancha que fosse. Fidelidade total e cega, me desculpa.

– eu usei tonalizante porque ele agride menos o cabelo e eu troco MUITO de cor e não quero sofrer quando mudar de novo. Também porque tinta – quando boa – é bem mais caro. Mas, isso significa que vai descolorir rápido. Vamos acompanhar.

Alguém aí tem uma história legal de cabelo com cor fantasia? Ou dicas pra compartilhar? Agradeço todas!

Camiseta, blazer e colarzão pode sim

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Eu postei hoje de manhã essa foto no Instagram (to quase a Kim Kardashian de tanta #selfie ultimamente) e ela gerou algumas polêmicas. Uma amiga comentou que não sabe usar camiseta com blazer, outra que não sabe combinar com o colarzão. Eu prometi um post sobre isso de “como usar” pra elas, uma coisa que eu não faço faz um tempo.

É que meu ponto de vista sobre essa coisa de ensinar a usar roupa é que: é muito chato. Parece que acontece o seguinte: na época da minha mãe tinha um monte de revistas que diziam que isso se usa com aquilo e aquilo com aquele outro. Bem sem graça assim mesmo. Mas aí vieram os maravilhosos blogs de moda em que a galera podia despirocar legal. Não demorou muito pra eles ficarem ~monetizados e começarem a ter linha editorial, mais regrinhas, blablabla. E chegamos a essa triste realidade de hoje com muitos blogs de moda dizendo “como tem que fazer” e quase nenhum de “olha como eu faço”. Criatividade morreu – e nem é culpa das meninas (não de todas), mas da cobrança que elas sofrem de serem tão perfeitas e “antenadas” e “descoladas” que façam exatamente o que a blogueira de Paris fez.

Acho meio triste que tenhamos tido uma oportunidade de democratização da moda tão incrível mas chegado ao ponto de não conseguir vestir uma camiseta sem consultar antes como os outros vestem. Faço até um mea culpa porque sou igualzinha: tenho painéis de referência no Pinterest pra todas minhas peças de roupa. É claro que é legal se inspirar, mas também é legal criar, também é legal experimentar.

A moda não é uma futilidade, é uma brincadeira que a gente faz, chega a ser uma forma de se expressar artisticamente. Quando eu escolho um blazer ou camiseta eu escolho como quero ser vista pelo mundo hoje. Por exemplo, hoje eu e a Lilian (somos sócinhas) tinhamos uma reunião com um pessoal super bacana e criativo com quem trabalhamos – não rola ir mulamba mas pode ir mais despretê. Blazer de menina séria + camiseta de menina criativa + colarzão das drag queens que nos habitam pareciam boas opções. Tanto que isso aconteceu sem a gente nem combinar.

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Eu sinto saudades de quando tinha bastante look do dia com coisas reais e loucurinhas pessoais. Quando era sobre como a Fulaninha combinou estampas e não sobre como todos os habitantes do planeta deveriam fazê-lo. E de quando blog era coisa de compartilhar entre pessoas iguais e não entre gurus deusas que nos dizem como fazer isso e viver aquilo. Tem quem curta isso, mas eu não acho essa vibe legal, sei lá.

E, por entender que esse sistema todo travou a gente de usar as coisas que gosta em si mesmas e que, de tão engessadas que estamos e de tão pouca auto estima que temos, achamos que a primeira vista tudo fica “estranho” quando na gente (a famosa sensação do “nela fica lindo, mas não é pra mim”) que eu montei esse guia.

GUIA DE COMO USAR CAMISETA COM BLAZER E COLAR:

1. Escolha uma camiseta com uma estampa que te deixa feliz e te faz sorrir e pensar em coisas boas ou que expresse sua exata vontade de dar um soco em alguém hoje – depende do efeito pretendido.
2. Adicione aquele blazer que te deixa a maior gostosa do planeta e te faz sentir segura de si.
3. Não esqueça de pegar um colar poderoso com pedras da sua cor favorita ou um padrão que te faz pensar “UAU”
4. Vista tudo.
5. Se olhe no espelho e veja como está maravilhosa.
6. Se ame e arrase por aí.

Se precisar de inspiração, eu posto mais loucurinhas minhas. Se precisar de mais inspiração, eu divido esse mural com você. Mas te ensinar como fazer… amor, isso tudo tá no teu coração já. Quando a gente se sente estranha usando algo que achamos bonito em outras mulheres isso diz mais sobre que posições nós achamos que merecemos ocupar do que sobre aquilo realmente ficar bonito ou feio. E sabe qual posição a gente merece? A que quiser.

Vista o que te faz se sentir você. É tudo que importa.

Bonitezas para deixar o dia mais alegre

Ando pensando muito em fazer um post aqui falando sobre “como caí no vício do AliExpress”, da ligação que as compras de $5 dólares têm com minhas atuais frustrações e de como você pode encontrar qualquer coisa nesse site maligno.

Aí hoje eu cheguei no trabalho e, ao menos até agora, não fiquei pendurada no Aliexpress e descobri outras coisas fofas pra embelezar o dia. Obviamente elas não custam $5 doletas, mas ver coisas bonitas sempre me inspira e hoje eu moraria nessa casa aqui usando coisas como essas:

Brincos de nuvem

Ou essa:

Bule

 

São de uma designer de joias chamada Glau Pietrobon e eu cheguei nela dando um Google no link de um link de um link e… Well. Precisa ver a linha dela de casamento, que pitchulina. ❤ E não é da China hahaha

*Suspiro*

Ou a moda ficou uma bosta ou eu fiquei fresca

Em 2008, com o ~boom dos blogues, virei uma dessas que gasta até o baço em roupa e maquiagem que não precisa. Sério, com o tanto que eu gastei nas porcarias da C&A nessa época dava pra comprar uma pequena ilha no Índico. Mas virou tudo roupa que pega bolinha mesmo.

Mas parece que nessa época era mais fácil comprar. Primeiro porque era bem mais barato. Existia uma arara na Renner em que tudo era R$ 9,90 e eu sempre conseguia comprar umas 3 blusinhas com 30 dinheiros. Hoje com 30 dinheiros não se compra nada. Essa arara até existe, mas tem umas roupas horrorosas – tô nem falando de qualidade, só de bom senso e mínimo de beleza mesmo. Faz tempo que eu não passo o cartão por uma peça de menos de 50 realidades, essa é a verdade.

Eu vejo que a questão nem é só o preço, é a falta de tesão em comprar também. Sei lá, antes qualquer coisa que entrava na moda me dava vontade. Cheguei a comprar esses conceitos exóticos como, sei lá, bota peep toe (que esquenta o pé mas necrosa no frio o dedão) achando tudo sensacional. Até meia-calça pink pra ir pro trabalho fantasiada de Cindy Lauper eu tive. Tá, pode ser que o problema fosse/seja eu.

O caso é que hoje nem me lembro como era esse tesão de roupa nova. Eu saio de casa e vou no shopping, entro nas lojas da C&A a Farm e não sinto vontade de comprar nada, nada, nada. Ou é a cor, ou é o material, ou é a modelagem que me incomoda. Nada parece o que eu queria. E, quando parece que quase pode ser que role se olhando de longe, a etiqueta mostra um preço que eu só pagaria se fosse realmente perfeito.

Então eu acho que ou a moda ficou uma bosta ou eu virei uma fresca. Ou, sei lá, é maturidade. Dizem que às vezes ela chega, vai que é isso. No entanto, meu Pinterest segue carregado de fotos de coisas que eu queria vestir, que eu fantasio usar e parecem fáceis de encontrar mas não são:

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Como esse maxi cardigã de rica. Uma vez comprei um na Zara e ele desfiou antes de eu chegar na porta da loja. Uma ótima metáfora para minha vida.

Mas, segundo a Emma Stone o Pinterest é pra isso mesmo e também pra reunir as vergonhas da vida:

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Outra coisa que pode estar acontecendo é eu estar deprimida e querendo descontar em comprar roupas de novo igual nessa época, mas também estar odiando tudo e não comprando porque tenho um pouco mais de responsabilidade. O que, vamos admitir, parece bem mais lógico.

Vamos ficar ligadinhas.