Chef ou Como um bundão vira homem com a ajuda de mulheres mágicas

o filme Chef virou queridinho no verão norte-americano: escrito, dirigido e estrelado pelo Jon Favreau, ele conta a história de um chef de cozinha de um restaurante francês que larga o emprego maçante fazendo comida sem graça e abre um food truck para fazer a comida que ele quer na companhia de um cozinheiro amigo e o filho de dez anos. é um filme fofo, divertido, com uma trilha sonora impecável e comidas absurdamente apetitosas.

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mas aí eu começo a pensar demais. o Carl é um chef de  cozinha fodão que trabalha há muitos anos sendo infeliz em um restaurante francês, fazendo comida clássica e sem nenhuma liberdade. ele não tem tempo nem responsabilidade com o filho de dez anos, mas magicamente nem o filho nem a ex esposa ficam minimamente chateados com isso. a ex esposa Inez (Sofia Vergara) já está divorciada dele há tempos, mas continua acompanhando o que ele faz, dando apoio, conselhos e ajudando para que ele possa seguir  os sonhos – ou seja, ela faz o papel de uma esposa amorosa sem estar casada com ele.

basicamente a personagem é uma mulher bonita, bem sucedida, que se casou (e divorciou) novamente depois do Carl e é uma boa mãe e que quer que o filho tenha uma boa relação com o pai (por mais que ele fique cagando no pau vez após vez). ela trabalha bastante no filme, mas não sabemos com o que – ela não tem uma história, motivação, personalidade. a única função dela o filme é ter tido o filho com o chef e ficar dando combustível para ele correr atrás do que ele quer – e ser a recompensa quando ele finalmente vira adulto.

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procurando o sentido da personagem Inez

a outra personagem feminina do filme é interpretada pela Scarlett Johansson, num papel tão rasinho e rápido que a única coisa que sabemos é que ela é uma hostess competente, que eventualmente é ~seduzida pela comida autoral do chef. apesar dele fazer comida bunda mole no restaurante e viver numa pilha de estresse por isso, ela diz que ele é o melhor chef com quem ela já trabalhou e que ele deve ir atrás dos sonhos, yadda yadda yadda.

eu entendo que esse é um filme “de meninos”, que mostra o crescimento do Carl e a reaproximação dele com o filho, que mostra a amizade com o sous chef ( ❤ John ❤ Leguizamo ❤ ) e que o Jon Favreau escreveu sobre o que ele sabe e queria (e é uma metáfora sobre a carreira dele, passando por blockbusters e achando o prazer fazendo esse filme mais independente), mas eu não entendo por que as mulheres têm que ser só acessórios bonitos (MUITO bonitos, nesse caso) que existem exclusivamente para o personagem chegar ao topo. um filme sobre o crescimento de meninos e homens não precisa ser sobre mulheres, mas nem por isso elas precisam ser absolutamente nulas, né não?

bom, isso tudo dito, super recomendo o filme pra um dia de preguiça esparramada no sofá comendo uma pipoca e chorando por não estar comendo as delícias da tela – é divertido e bonitinho pra quando você não quer pensar muito – coisa que eu obviamente tenho problema em fazer.

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playlist da primavera

tá empoeiradinha essa casa, hein? quando a gente decidiu fazer o blog, a ideia era escrever quando desse vontade e sobre o que desse vontade, sem ~linha editorial e sem cronograma estabelecido. isso significa que nos últimos tempos eu pensei em mil coisas que eu queria escrever aqui, mas aí bateu aquela pregs e eu sofri calada deixei quieto.

euzíssima

euzíssima

aí que esses dias tava mexendo no Spotify e lembrei que esses dias uma amiga veio pedir indicações de bandas, porque, segundo ela, eu sempre tinha umas coisas legais pra mostrar (<3). e eu lembrei que no começo da faculdade eu e minhas amigas sempre trocávamos cds gravados (um segundinho de silêncio em nome da nostalgia) e que fazia muito tempo que eu não fazia isso – e eu adoro montar playlists. parei pra pensar um pouquinho no que eu queria fazer e comecei a fuçar atrás de músicas ~primaveris – no meu critério esquizofrênico, é claro.

nem tudo que tá aí é novidade (aliás, tem coisa que não é novidade há uns quarenta anos), mas tudo é lindo.a lista foi pensada pra ser ouvida na ordem bonitinha e te deixar dançandinho e feliz : )

ps: se você não tem conta no Spotify, super vale a pena, é bem rápido e se você não quiser fazer a conta paga – que é bem baratinha – a versão gratuita também é bem boa, só tem uma ou outra propaganda curtinha às vezes.

vale quanto pesa

Eu sinto como se falar sobre feminismo fosse mais do metier da Debs ou da Julia por aqui, mas eu leio coisas e vejo coisas por aí que, mesmo não articulando tanto quanto elas, eu gostaria de dividir com vocês. Alguns raciocínios parecem simples, mas ainda estão tão distantes do nosso cotidiano e do nosso objetivo (ou ao menos do meu, de ser uma pessoa melhor) que eu acho que valem a reflexão.

Dentre os poucos sites que eu acompanho sobre feminismo atualmente está o Lugar de Mulher, que essa semana publicou um texto incrível da Lélia Almeida chamado Mulheres Famintas, no qual ela fala sobre a ditadura da magreza excessiva, das dietas e de como esse comportamento está se refletindo nas gerações futuras. Particularmente, eu destaco um único e incrível parágrafo:

(…) Marcela Lagarde em muitos dos seus textos diz que as mulheres de hoje se comportam como criaturas medievais desejosas unicamente de um amor romântico impossível de ser realizado e sem nenhuma reflexão crítica sobre seu amor próprio. E que isto as debilita e enfraquece, já que ninguém com estes sentimentos desenvolve suas potencialidades.(…)”

Isso me assusta porque eu vejo acontecendo à minha volta o tempo todo, na minha família, acontecendo na minha casa sem que ninguém pare pra pensar ou analisar um só instante. Gente, até Queen B tá falando disso, será que não está na hora de rever MESMO o que fazemos com nossos corpos, como nos sentimos com ele e que exemplo damos?

"Pretty hurts, we shine the light on whatever's worst"

“Pretty hurts, we shine the light on whatever’s worst”

O discurso da Lélia também me remeteu imediatamente à esse vídeo, o poema Shrinking Women (Mulheres que encolhem), da Lily Myers que vive me deixando com lágrimas nos olhos e que vale três minutos da sua atenção. Mesmo porque eu posso apostar que você já viu isso acontecer ao seu redor:

Dá pra ver com legenda em inglês e tem tradução dele aqui, mais uma vez evidenciando o desejo de magreza estar intrinsecamente ligado à deficiência de autoestima. E, pra mim, a pergunta que sempre fica é: por que queremos/devemos nos encolher?

quatro séries que acho que vão te fazer feliz

não, a casa não virou filial do buzzfeed e também não quero fazer lista tipo CINCO SÉRIES QUE VOCÊ PRECISA SAIR CORRENDO ASSISTIR SENÃO SUA VIDA NÃO SERÁ COMPLETA (até porque são quatro). mas sabe, eu curto ver série pra caralho e normalmente o que eu assisto é por indicação de amigos ou por tanto que eu vejo coisa sobre elas na internet – e às vezes ler um pouquinho sobre elas é tudo que eu preciso pra começar a ver algo novo. vai que é o seu caso? : )

  • Orphan Black

faz tempo demais que vejo a gifs e imagens dessa série no tumblr (quer me seguir lá?) e nunca me interessei muito, até que algumas amigas assistiram e acharam incrível. então basicamente em um domingo ocioso assisti a primeira temporada da série quase inteira em uma paulada só.

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se o netflix fosse sincerão comigo

a série conta a história da Sarah Manning, que vê uma menina igualzinha a ela se jogando em frente a um trem e resolve assumir a identidade da suicida. o que ela não sabe é que tem algumas outras moças iguaizinhas a ela, resultado de um esquema ilegal de clonagem humana. a série é tensa e divertida ao mesmo tempo, e vale a pena ver nem que seja pra ver a ❤ Tatiana Maslany ❤ atuando maravilhosamente como SETE personagens diferentes, uma mais incrível que a outra.

melhores migs

melhores migs

  •  Fringe

quando a série foi lançada, eu acompanhava Lost e achava que uma série do JJ Abrams já era demais pro meu coraçãozinho – mal sabia que Lost só me decepcionaria. uns dois anos atrás um amiga me passou vários dvds de séries e entre elas, Fringe. comecei a assistir aos pouquinhos ano passado e logo viciei e terminei todas as temporadas em uns dois meses.

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mistério, ação e muito LSD

Fringe mistura ficção científica, mistério, tecnologia e muita pira muito louca com algumas das histórias de amor mais bonitas que eu já vi na televisão. basicamente o centro da série toda (e até o fim da série, das mais bem resolvidas e lindas do mundo) é o amor dos pais pelos filhos. a evolução da relação do Peter Bishop (Joshua Jackson me fazendo esquecer do chatinho do Pacey) e do Walter Bishop é incrível e a série ainda consegue amarrar histórias e dar respostas a todos os mistérios levantados (exatamente o contrário do que aconteceu com Lost). ah, e ainda tem a linda, incrível, forte e maravilhosa Olivia Dunham.

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quando terminei de ver a série fiquei bem uns cinco minutinhos em posição fetal pensando no que seria da minha vida depois daquilo. se você gosta de ficção, monstros gosmentos, mistérios e uns minutinhos de choro, Fringe tá perfeita pra você.

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  •  Six Feet Under

ok, eu menti ali no título. SFU não vai te fazer feliz. ela vai te deixar miserável, chorando em posição fetal socando o sofá e se perguntando qual é o sentido da vida. mas você vai gostar disso, eu juro.

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SFU conta a história de uma das famílias mais disfuncionais da história, dona de uma casa funerária. logo no piloto o pai da família morre num acidente estúpido e dali pra frente os personagens (uma mãe reprimidíssima, uma filha adolescente rebelde, um filho certinho e com problemas pra assumir a sexualidade e o filho mais velho, que fugiu das responsabilidades e da família louca) têm que resolver o que vai fazer dali pra frente.

a série é bastante dramática mas tem muitos momentos bem engraçados e sensíveis. o desenvolvimento de todos os personagens durante as temporadas é incrível, e é impossível não se apegar a eles. a Claire é meio que spirit animal da nossa geração, cínica mas esperançosa e fofíssima ❤

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além de falar (muito) sobre morte, a série não é só sobre isso. os relacionamentos dos personagens, a importância da família (pro bem ou pro mal, haha), a busca por um propósito na vida, a busca da Ruth, a matriarca, por um sentido na vida depois dos 60 anos, a Claire virando adulta, o relacionamento do David e do Keith e todas as dificuldades vividas por um casal gay, a relação louca do Nate com a Brenda, tudo vale muito a pena. e no fim de cinco temporadas incríveis, você vai ver o que certamente é o melhor season finale que a televisão mundial já produziu. sem brincadeira. pra quem já assistiu, vem chorar litros comigo, vem:

  • Gilmore Girls

Rory Gilmore é uma adolescente de uma cidadezinha minúscula, filha de Lorelai Gilmore, que teve Rory quando ela tinha 16 anos. elas são melhores amigas, lindas, divertidas, falam rápido, jogam trinta referências pop por minuto, comem porcaria pra caralho, tomam café, sofrem com a família, sofrem com a falta de emprego/dinheiro, sofrem com os estudos, sofrem com os namorados, sofrem com a falta de café, assistem programas ruins na TV e gostam de música boa e de música ruim. elas são assim, gente como a gente (mas de olho azul e cabelo bom).

não é exatamente novidade indicar Gilmore Girls, mas considerando que a série começou quando eu tinha 12 anos, deve ter gente mais novinha que talvez nunca ouviu falar sobre ela – e sabe, assistir Gilmore Girls durante a adolescência é uma coisa que realmente vale a pena. o final da série foi meio fracassado – a emissora decidiu acabar a série meio às pressas e a season finale não resolveu muita coisa – mas tem tanta coisa boa nas sete temporadas da série que vale a pena indicar com muito amor no coração. se ainda preciso te convencer, vamos aos gifs com tudo que aprendi com duas das minhas mulheres preferidas da televisão:

elas sabem que evitar problemas faz bem pra pele

evitar problemas faz bem pra pele

acordar cedo não faz bem

acordar cedo não faz bem

comer é a coisa mais importante dessa vida

comer é a coisa mais importante dessa vida

você nunca vai conseguir fazer tudo que quer na vida domindo tanto assim

você nunca vai conseguir fazer tudo que quer na vida dormindo tanto assim

uma birita eventual faz bem

uma birita eventual faz bem

vale a pena interromper qualquer convversa se você encontrar um cachorro

vale a pena interromper qualquer convversa se você encontrar um cachorro

e aí? já viram alguma das séries? alguém tem dicas legais de coisas pra eu assistir? : )

Fomos no tal Heineken Glass Room

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Eu ando meio com birra de balada em Curitiba. Essa coisa de esperar em fila, passar aperto, ser agredida por gente grosseira e chamar tudo isso de diversão faz tempo que não é pra mim. Tô véia. Mas quando aparece uma festa com cara mais bacana eu ainda me animo de ir ver qual é que é. Bem por isso tava com vontadinha de ir no tal do Heineken Glass Room. E foi uma das noites mais bacanas que eu já vi!

Pra quem não é de Curitiba e não sabe do que eu to falando, o esquema é o seguinte: existe um bar pop-up chamado Heineken Glass Room que viaja pelo mundo ambientando as festas mais bacanas de cada lugar onde é montado. São duzentos convites pra cada festa e eles acabam bem rapidinho (as inscrições são toda segunda-feira 15h pras próximas festas de sexta, sabado e domingo).

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Eu sou jacu e perdi a inscrição mas acabei indo parar lá porque a galera da Heineken fez o convite no e-mail da Lilian (e foi assim que descobrimos que precisamos de formulário de contato), que acabou repassando pra mim. Escolhemos a edição “Só o Soul Salva”, uma festa bem bacanuda que a gente vivia tentando ir e nunca conseguia.

Só o Soul Salva já é uma festa a parte, né? Eu já tinha ouvido falar, mas ver com os próprios olhos foi demais: a galera dança MESMO, sem nenhuma vergonha de ser feliz. Eu sou super travada pra dançar em público e quando cheguei parecia um pouco com um pato tendo um aneurisma. Mas essa festa tem um conceito meio “dance like nobody is watching” e a energia que rola do pessoal dançando de se acabar e sem se importar é muito massa. Serio, eu com certeza vou passar a frequentar a Só o Soul Salva, voltei pra casa muito empolgadinha.

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Isso é o Malk se acabando na Motown enquanto os painéis de luz piscam no ritmo da música. Juro.

Mas voltando ao Heineken Glass Room, se você gosta desses lugares meio estrambólicos pra tirar foto de viciadinho em Instagram (eu amo), não pode deixar de ir. O conceito do lugar é de encher os olhos e ninguém resiste a sair louca, tirando mil selfies. Chega a ser engraçado observar a galera tirando fotos ali – todo mundo simplesmente perde a vergonha de fazer graça em público.

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A festa também traz uma instalação do Multi Randolph, designer que criou todo o ambiente, que deixa a galera LOUCONA, pirando nas fotos

Se você for e quiser dicona: eu não provei os drinks porque os preços não são nenhum pouco convidativos – acabei ficando no meu combo cervejinha e Coca-Cola de sempre. Mas tava bem louca pra provar o tal do Barreado Volante que a assessoria falou sobre e, chegando lá, pedimos ele e o hamburguer pra comer um pouco de cada (todo casal faz isso de pedir pratos diferentes pra provar dois ou somos só nós os jacus?).

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O barreado não me animou muito, mas o hambúrguer, santa mãe de deus!!!!!!111

Se você quer fazer as inscrições e tentar ir em alguma das festas dessa semana, é só clicar aqui bem rápido (as vagas acabam em minutos). A entrada é gratuíta, a festa é só pra maiores de 18 anos e quer um conselho? Vai. A experiência é realmente legal, o hambúrguer dá vontade de contrair matrimônio, as mesinhas são confortáveis, a fila é rápidinha, a energia é boa e vale a pena.

Fora que é daquelas coisas que todo mundo posta que foi, fica falando por meses e depois você fica chupando o dedo e lamentando, só pra começo de conversa, já te frustrando mega, né?

No mais, só queria contar que na saída eu vi essa imagem aqui e gostaria de dizer pra todo mundo que vai ao Parcão no domingo com seu cachorro fingir ser curitiboca-amigo-da-natureza e quando sai deixa esse monte de lixo no chão: vocês fedem.

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minha nova obsessão

segunda de manhã eu estava perdendo tempo no tumblr e vi um gifset da atriz Zoe Saldaña falando umas coisas interessantes e fui atrás da entrevista inteira. acontece que a entrevista faz parte de uma série feita pela atriz/modelo/fotógrafa/mulher maravilhosa/minha nova diva Amanda de Cadenet.  a série tem oito episódios com várias entrevistas realmente fantásticas e íntimas que discutem questões femininas sem cair em discussões bobinhas sobre corpo/beleza e também sem cair no feminismo “didático”.

é muito legal ver que absolutamente todas as mulheres entrevistadas – uma lista fabulosa que passa por Diane Von Furstenberg, Ariana Huffington, Jane Fonda, Gwyneth Paltrow, Miley Cyrus e Lady Gaga – têm algo importante a dizer sobre as próprias experiências e como tudo pode ser aplicado na vida de qualquer mulher. acho que o bacana é que não importa que são famosas – são mulheres antes de tudo, que sofrem dilemas parecidos com os que qualquer mulher sofre, e que compartilham o caminho que encontraram (ou que ainda procuram) para lidar com os perrengues da vida.

quase todas as conversas falam profundamente sobre um assunto específico na vida das entrevistadas – e é sempre algo que qualquer mulher pode se relacionar, mesmo sem ter tido a experiência – a Eva Longoria fala abertamente sobre a traição que acabou com seu casamento e como não, a culpa não é da mulher, a Eva Mendes fala sobre a importância de garantir a própria segurança financeira, a Gabourey Sidibe fala sobre a auto imagem e a importância de se conhecer e se amar de qualquer forma, a Jane Fonda fala sobre a importância de não depender de um homem para se definir…

são mulheres muito diferentes falando de assuntos muito diferentes, mas em todos os episódios eu senti que a conversa era comigo – mulheres inteligentes, fortes, engraçadas e incríveis dando conselhos e falando que sim, é normal não se sentir feliz às vezes, que é normal se sentir insatisfeita com o corpo, que é normal não ser feliz o tempo todo. a única coisa que todas concordam é que o importante é se aceitar e aprender a se amar. e eu juro que assistindo essa série toda, isso parece ser muito mais fácil : )

ps: eu sei que é importante não deixar um homem te definir e tal, mas acho relevante mencionar que a Amanda é casada com o Nick Valensi, guitarrista do Strokes, e ela posta fotos assim no Instagram.

orange is the new black, a mídia e as mulheres

ontem eu assisti um documentário que qualquer pessoa minimamente interessada em feminismo deveria ver e depois sentar no cantinho da reflexão.  “miss representation” não chega perto de ser perfeito, é claro, e faz um recorte muito específico da grande mídia norte americana, mas tem muitos pontos que são facilmente transportados para a realidade brasileira. as mulheres da política de lá são ou tratadas como brinquedos sexuais ou barangas inúteis (críticas ao visual da Dilma, alguém?) e são desqualificadas como boas profissionais por serem emocionais (mesmo quando não são) – lembram do caso da deputada Manuela D’Ávila?

enquanto quem prefere se fingir de cego diz que a luta de gênero já acabou e esse negócio de feminismo não é interessante, meninas são estupradas todos os dias e têm imagens liberadas na internet, e continuam ouvindo que a culpa, bom, a culpa é delas, tavam pedindo com roupas curtas/bêbadas/perto de meninos que não sabem se controlar.

mas uma das questões que mais me chamou a atenção no documentário é que os grandes estúdios não se interessam em contar histórias de mulheres – normalmente filmes ou séries focadas em mulheres que não sejam especificamente sobre problemas com homens ou dramas amorosos são ignorados porque supostamente não dão retorno. numa época em que todo e qualquer personagem de quadrinhos vira filme com recorde de bilheteria, vocês já repararam que não tem filme da mulher maravilha? faz tempo que o tal filme virou lenda, já que os estúdios adoram dizer que histórias que mulheres fortes não chamam a atenção do público masculino – embora ele seja menor que o público feminino, ainda é considerado prioritário.

é engraçado que, por mais que isso tudo ainda seja uma realidade bem presente (e que geralmente mulheres heroicas são representadas com mais superficialidade que os personagens masculinos), dá pra ver essa “regra” caindo aos poucos.  orange is the new black, do abençoado netflix (que libera a segunda temporada inteira hoje!), é uma série que sai da caixinha óbvia do que “deveria” ser uma série feminina. tem competição entre as mulheres, tem problema com homem, mas é tudo mostrado de uma forma muito mais orgânica e real do que qualquer outra série. as mulheres não são bonecas de plástico perfeitas, loiras e sem vontade própria.

vá culpar minha tpm lá na pqp

vá culpar minha tpm lá na pqp

a gente encontra ali personagens bissexuais, trans (feita por uma atriz trans incrível, coisa rara ainda), jovens, gordas, hispânicas, mulheres de meia idade, negras, todas lutando por um espaço e procurando algo que seja importante  no meio daquele caos. tem amizade de verdade, tem treta de verdade, tem situações que a gente consegue relacionar com a vida real – sem cair naquele clichê que já demorou pra cair que mulher é inimiga de mulher.

crazy eyes cansou desse papinho furado

crazy eyes cansou desse papinho furado

até me emociona ver uma série tão bem feita, com personagens tão bem construídas, fazendo tanto sucesso. e mais legal ainda é ver quantos homens eu conheço que acompanham e gostam da série. porque é uma boa série, com uma boa história, com bons personagens. não precisa de muito mais que isso, mas parece que o negócio ainda tá pegando no tranco, né? pelo menos começa a pegar.

ps1: pra quem quiser assistir o documentário, tem uma versão legendada aqui. não encontrei com qualidade melhor, infelizmente.

ps2: o documentário usa várias cenas de mad men pra falar sobre a representação da dona de casa perfeitinha e tal, mas sempre achei que a série é muito boa ao representar as mulheres. esse texto fala melhor sobre isso e essa última temporada mostra que a mulherada não tá ali de brincadeira.

Se um dia tudo der errado o meu plano b é casar com o Jorge Drexler

Provavelmente não chegaremos a esse dia, eu pretendo ficar casada pra sempre com o Malk e eu acho que ele deve passar um bom pra sempre com a Leonor Watling (que aliás é uma querida). Mesmo assim eu acho que a gente tem que ter um Plano B pra todo possível dia de chuva e o meu é esse.

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Oi, eu sou o Jorge Drexler, Plano B da Debora

Vai ser bem simples de executar porque, veja, o Drexler é simpático e acessível aos fãs. Existe uma coleção de fotos dele com fãs na internet e parece que pra falar com ele você precisa basicamente querer falar com ele. Divo porém não divo. E com um Oscar na estante.

Por essa música que aliás é maravilhosa

O relacionamento vai ser tranquilo, afinal ele é uruguaio. Eles são o povo mais receptivo e fácil de amar no universo – eu amo essa gente e o mate e o doce de leite e o alfajor que eles fazem. Inclusive eu queria mudar pro Uruguai de uma vez. Talvez, quando/se meu Plano B for executado isso possa acontecer, mas acho pouco provável já que o Jorge vive na Espanha com a Leonor e seus dois filhos Luca e Lea – provavelmente nomeados por causa de Luke e Leia de Star Wars, meu filme favorito, provando o quanto nascemos um pro outro mais uma vez.

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Esses adoráveis bebedores de mate ❤

Pra ajudar, o tanto que eu amo o Uruguai é igual o quanto ele ama o Brasil. Ele até fez uma música bonita pro nosso país.

E também um duo com o insuportável do Caetano Veloso no último disco (e o incrível é que o Caetano não conseguiu estragar).

Enfim, eu imagino que ele amaria me ter por perto mesmo que eu não saiba sambar tão bem. Aliás, ele também não sabe dançar lá muito bem e já fez graça com isso em uma música fofa de tudo. No último disco ele resolveu que tentava e, igual o lance do Caetano, ficou surpreendentemente bom e engraçadinho.

Um homem que não sabe dançar e faz coreô na câmera merece mesmo respeito pelo senso de humor – todo mundo sabe que depois de uns dez anos de casados o que nos salvará será o senso de humor.

Como se não bastassem essas provas de que o Drexler e eu somos metades da mesma laranja, ele compôs um disco inteiro na cidade mais pretty fucking amazing em que eu já estive, com uma música incrível sobre um Farol pro qual eu parei e fiquei olhando por horas sem saber ainda que era o tal do farol do Drexler.

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O Farol do Cabo, eu com cara de boba pro Farol do Cabo, minha paixão pelo Uruguai, tudo junto <3.

A música, composta no ano em que ele ganhou um Oscar e se divorciou da primeira esposa, diz que um farol gira e ilumina por só um segundinho cada pedacinho e depois esse pedacinho fica ali vivendo 12 segundos de escuridão, sendo uma metáfora maravilhosa pra vida da gente que tem uns momentos absurdamente brilhantes e fugazes e depois nos testa de novo nos enchendo de problemas.

Ou seja, Jorge é azarado como eu, a gente ia se compreender, a gente ia beber um vinho juntos no LoDeDani em Polonio quando as coisas ficassem ruins e se apoiar.

Poderiamos até sentar e ouvir os discos da Maria Rita já que ele é uma dessas meia duzia de pessoas que, como eu, não acham ela insuportável e presunçosa. E, como eles são amigos e gravaram juntos a música mais dolorida do mundo (mesmo disco do divórcio), a gente poderia até chamar ela pra um vinhos e queijos em casa. Aliás, a gente ia ter sempre amigos músicos em casa e não precisaria pagar por banda no casamento.

Mas, enfim, isso é se tudo der errado, porque mesmo com a barba, o mate, o Uruguai e a voz mansa, os amigos músicos, a tentativa de rebolado de Universos Paralelos e o pacote completo que esse homem é, por enquanto tudo continua dando muito mais certo do jeito que tá: ele lá compondo músicas pra Leonor, eu aqui com o Malk roubando essas músicas e mandando pra mim. Prefiro assim.

Dulce magnetismo

Aliás, o disco novo dele tá Ben10 e eu se fosse você me apaixonava clicando aqui e tendo um dia bem melhor. De nada por escolher sua trilha do Dia dos Namorados.