“Fulana pode”

Oi, eu sou aquela pessoa que costumava postar aqui faz pelo menos um mês, cês lembra? Aí hoje eu voltei por um motivo muito importante, eu vim entregar minha cabeça ao julgamento da sociedade secreta feminazi contra a família (nós) porque, perdão, fui machista.

Ontem estava com um grupo de amigas lindas e uma estava contando sobre sua foto de barriga de fora. Vocês já tiveram a sensação, enquanto dizem umas palavras que elas ao sair já são idiotas mas não tem como parar a frase no meio? Então, ao elogiar eu disse “ela pode, né”.

Poxa, que mancada.

É claro que ela pode: o corpo é dela, ela faz o que quiser. Só que essa minha amiga é magrinha, tem uma barriga sequinha e era disso que eu tava falando. E isso é bem besta porque na tentativa de fazer um elogio, afinal a foto da minha amiga ficou mesmo absurdamente linda, eu optei por reforçar um estereótipo de só magrinhas podem, eu optei por dividir o mundo entre quem pode isso ou aquilo.

Mancadíssima, cara.

Sabem, quem pode usar roupa curta ou comprida é quem quiser usar roupa curta ou comprida. Meio que o dono do corpo decide se pode fazer o que quiser fazer e estamos todas de boas. Todas lindas e deboas, aliás.

Quando a gente cresce em uma sociedade machista é muito comum que a gente internalize conceitos de dominação dos corpos – tipo determinar o que alguém pode usar pelo seu peso ou não. A gente tem isso tão interno que não consegue se libertar sem um fórceps. Pra mim, as três fases da libertação são:

1. Conseguir não dizer ao julgar
2. Conseguir não julgar at all
3. Conseguir aplicar a você

Ontem enquanto eu dizia eu percebi que estava falando uma asneira, mas não consegui no contexto pedir desculpas aos envolvidos porque não é normal você falar isso e depois dizer ‘NOSSA DESCULPA DESCULPA NÃO FOI ISSO QUE QUIS DIZER DESCULPA” e, enfim, fiquei matutando. A previsão é em breve eu não me importar com barrigas de fora nos outros e nos próximos passos até usar. Mas por hoje, só por hoje, eu quero dizer: magras e gordas, com curvas ou não: somos todas lindas e ficamos fabulosas quando nos sentimos bem e à vontade, a escolha de roupa é problema só da dona do corpo.

Eu dizer que alguém pode ou não baseada na taxa de gordura da referida não é um problema com vocês – é comigo. Eu internalizei esses conceitos, eu absorvi isso e reproduzo não confiando em mim mesma, me condenando por estar acima do peso o tempo todo. Eu preciso é me aceitar e me livrar disso, não condenar por aí. Sis, cês desculpam a mancada?

Então estendo o mindinho aqui pra vocês fazendo pink promisse: nunca mais julgar pela barriguinha de fora de novo? Combinado.

(Já pra bonita que tava na foto: você pode sim. Você não tava bonita porque é magra. Você tava bonita porque tava confortável e deboíssima).

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vai ter sim, se reclamar vai ter dois

tem gente aqui que me conhece do deborices, gente que me conhece daqui mesmo, gente que lembra da época do fashion descontrol, gente que veio parar aqui depois de ler o novo deborices e sabe o que isso quer dizer? que eu já tive blog pra cacete.

não é que eu seja vira casaca nessa questão, veja, o meu problema é sempre o mesmo: eu realmente me importo demais mesmo com o que as outras pessoas vão dizer, o tempo todo. sofro as dores do mundo nisso e tento todos os dias acordar e prometer pra mim mesma que não vai ser assim, mas nunca é.

nesse pacote de sofrimento desnecessário entram pequenas coisas que eu posto no blog, como looks do dia e artigos de moda (que eu adoro). a moda, veja você, pra mim é uma arte desprezada exatamente por ser feminina. a Ju me mandou um texto sobre isso inclusive e eu concordei de cabo a rabo. o caso é que no mundo da pintura ou da gastronomia nós temos homens notáveis então essas são consideradas artes legítimas. mas a moda sempre foi muito mais sobre mulheres, logo sendo associada a futilidade. quando você analisa de perto não tem muita diferença em usar cores e formas pra se expressar em uma tela ou nas suas roupas, né?

mas mesmo que a gente racionalize algo é difícil convencer o coração a parar de se sentir mal e eu, sim, me sentia fútil postando look do dia, me sentia malzona mesmo. ainda me sinto às vezes. mais ainda porque pessoas cuja inteligência eu realmente admiro vivem falando coisas contra tirar fotos de você mesma e quando eu ouço essas pessoas me sinto mais burra segundo a avaliação delas. então, por não saber lidar com isso, deletava os blogs que tinha, recomeçava e, quando via, tava fazendo look do dia de novo e me sentindo burra de novo… vocês entenderam, né? um ciclo.

acontece que chega uma hora que ser feminista significa saber libertar você de você mesma. por exemplo, eu gosto de moda e ninguém tem nada a ver com isso. eu posso me permitir isso sem me entregar a dicôtomia do burra mas bonita x feiosa mas inteligente. eu posso me permitir criar o belo enquanto leio meu Guimarães Rosa sem ninguém ter nada com isso.

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mas daí quando você resolve parar de se importar acontece uma coisa engraçadissima: você passa a ser o incômodo. você incomoda com o fato de que quando você tira uma foto de você mesma você se sente bonita, você incomoda porque mulher empoderada incomoda. mulher segura de sí incomoda.

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e não precisa ir muito longe pra ter exemplo disso.

veja, é um caminho longo, algo do qual eu não me livrei totalmente ainda e nem sei se vou me livrar, mas é um exercício ótimo. afinal, um homem pode passar sua vida sem se questionar se ele é bonito e adequado a sociedade, mas a mulher… pra gente é mais difícil porque nós somos cobradas a sermos bonitas mas ensinadas que achar que você atingiu essa beleza é uma coisa muito feia. e a gente é ensinada assim tão profundamente que a gente também tem que se sentir péssima, mal, acabada quando alguém elogia a gente pela escolha de roupa, pela cor do cabelo ou qualquer coisa assim. a gente não pode se gostar porque se gostar significa que sua opinião é que você tá ótima e que quando alguém tentar te controlar pelo seu peso ou escolha fashionista você pode falar ‘foda-se’ e não deixar-se dominar.

daí vem uma outra corrente que diz que o look do dia é buscar aprovação e, sabe, algumas meninas realmente fazem por esse motivo. mas o que há de errado, por que devemos nos sentir mais burras ou piores por querermos uma aprovação de vez em quando? não é o que todo ser humano quer? um elogio? um abraço? fomos condicionadas a buscar por isso e agora vamos tacar pedras nas irmãs que fazem abertamente?

e tem outra: nem todo mundo faz pela aprovação. eu já fiz pela aprovação, sinto bem a diferença. quem faz pela aprovação não usa o que gosta. eu faço porque, oras, porque eu acho que eu me visto bem pra cacete e eu quero mostrar. quem escreve pode querer ser lido. quem canta pode querer ser ouvido. e quem tem como passatempo se vestir pode querer fotografar isso. isso não é tao difícil de compreender, né?

então, eu digo assim: vai ter look do dia no meu novo blog, vai sim. se reclamarem vai ter todo dia só pra provocar. só pra eu sambar na cara de quem acha que pode controlar meu corpo e como eu o adorno e o fotografo e quanto prazer eu tenho em ver a minha figura. só pra mostrar que você não manda em mim, não. se quiser me chamar de burra e superficial por isso, eu te digo: superficial é você que viu uma foto minha e já acha que sabe tudo sobre mim. posso ser mais burra em algumas coisas e mais inteligente em outras mas sobretudo sei que não é uma foto minha me amando que vai definir esses meus traços, mas todo um conjunto de outras coisas que não te dizem respeito. aliás eu nem tenho obrigação de ser isso ou aquilo só pra te agradar.

e minha opinião sobre look do dia é a mesma que eu tenho sobre cabelo colorido, sobre sexo, sobre casamento gay, sobre drogas, sobre dar pra cidade inteira, sobre usar uma mini saia do tamanho de um cinto e um top bem anos 90, sobre fazer scarnification e botar um chifre no meio da sua cara, sobre largar seu emprego em uma grande corporação e ir viver nas cavernas ou viajar o mundo, sobre não ter filhos, sobre ter dez filhos, sobre tudo que você faz consigo mesmo nessa vida: você não gosta, amigo? não faz. mas não vem mandar no meu corpo nem do mais ninguém. supere suas neuras e me deixe viver.

vai ter look do dia sim. se chorar vai ter dois, três, quatro, cinco mil. eu vou me empoderar sambando na avenida se for isso que eu quiser. beijo pro recalque.

stop

(e eu já postei o primeiro no meu blog novo.)

o post pra você que sempre quis um abacaxi pink

ultimamente eu vi umas referências de decoração com abacaxi em estamparia, em moda, em objetinhos decorativos com ou sem utilidade… comecei a querer pra minha casa também. cheguei até a me animar com uma coleção da Zara Home inspirada na frutas – tinha porta-retratos, estatueta, louça, almofada, tudo que vocês imaginarem com os tais. mas no fim não comprei nada por dois motivos: primeiro porque a coleção era toda branca e eu queria um abacaxi pink. segundo porque o preço da estatueta de resina que eu achei simpática era R$ 129,90. é, caso vocês não saibam, minha vida de comprar objetos decorativos segue o diagrama abaixo:

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não dá pra ter tudo, Marina. tem que escolher lado.

eventualmente a Zara Home entrou em liquidação e o abacaxi baixou pra R$ 39,90. até que era pagável pra um objeto decorativo, mas como ainda não era o que eu queria, fiquei cabreira. aí que vi essa foto abaixo no The Roxy Blog e liguei lé com cré:

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PINTA ABACAXI COM SPRAY SIM!!!1

falei pro Malk e ele provou que eu casei com a pessoa certa ao não estranhar muito quando uma louca ligou pra ele explicando a necessidade de um abacaxi pink na decoração da casa. no mesmo dia fomos na Zara Home e compramos o abacaxi de resina. compramos também um cofre de gesso em forma de baiacu.

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eu não sei explicar o porquê a gente comprou um baiacu, mas ele é adorável.

passamos em seguida na loja de materiais de construção para escolher os sprays. pro abacaxi eu quis pink neon e pro baiacu um roxo com acabamento bem brilhante. no primeiro dia de sol seguinte, coloquei plástico pra proteger o chão do quintal e comecei a minha arte:

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abacaxizinho bonitinho e lindinho depois de três camadas.

enfim, pintar coisas com spray não tem muito segredo, não: tem que manter a lata sempre em pé e a uma distância de 20 cm do objeto a ser pintado, não aplicar muita tinta de uma vez e é basicamente isso. como esses objetos tavam limpinhos e nem precisaram de lixar nem nada, foi tudo muito rapidinho. a secagem demorou mais ou menos um dia. de bônus o aspecto do abacaxi ficou parecendo emborrachado, uma gracinha.

enfim, como eu sou piegas, esse post tem moral da história tá? então vamos lá:

moral da história – ter coisas bonitas e diferentes em casa não é só pra quem quer pagar R$ 129,90 em um abacaxi da Zara Home ou pra quem compra coisas nas lojas de decoração de design assinado chiquérrimas ou pra quem tá disposto a gastar milhares de doletas em alguma porcaria.

você pode garimpar liquidações, você pode achar em um brechó, você pode criar, imaginar, adaptar, tacar spray, adesivar, envernizar e ter uma casa diferente do jeito que você gosta.  melhor ainda: tudo que você fizer é único. e, como eu acho que sua casa tem que te alegrar, te fazer sorrir e ter sua cara, é bem mais importante do que qualquer grife, pra mim esse é o caminho de uma vida feliz.

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e eu duvido que você conheça qualquer outro ser humano no mundo com um abacaxi pink e um baiacu roxo no rack da sala, sabe?

Chifrudaney

Britney Spears foi traída, um dos maiores escândalos da semana. o bafafá foi gravado e, para proteger sua filhota, Spears pai bateu o pau na mesa e comprou os direitos autorais da filmagem. agora quem reproduzir vai ganhar um amigo processinho.

 

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mas é claro que a história vazou e, desde então, só nisso se fala. and here comes a twist: enquanto todo mundo esperava que Britoca ficasse em casa comendo um pote de sorvete e cantando “all by myself don’t wanna be” ela prova que, bem, não é bem por aí:

e depois nos ensinou exatamente como superar dias ruins em um maravilhoso vídeo que você assiste clicando aqui.

como esse é o caso da semana (fora o das fotos da J. Law pelada sobre o qual a Noelle já disse tudo que é necessário, claro), eu resolvi dar meus dois centavos. e eles são: obrigada, britney, por não se fazer de vítima. porque sabe, eu já fui chifruda, quase todas minhas amigas já foram chifrudas, chifre acontece, somos todas chifrudasney como você – mas não precisamos nos definir por isso.

eu sempre achei curioso como ser traído é considerado uma vergonha porque, bem, você é a vítima. quem deveria ficar com vergonha não é o traídor? ter vergonha de ser desleal? de não poder ser confiável?

e a coisa fica mais esquisita quando é uma mulher super power celebrity tomando um par de chifres: a reação do público é “nossa, como pode, uma mulher maravilhosa dessas tomando chifre… que será que aconteceu? coitadinha”. isso não só parte do pressuposto que a vergonha é do traído mas também de que chifre é algo que você toma quando merece porque, veja, se fosse gorda, sem graça e escrota a gente entendia, mas uma Britney tomar chifre choca.

a gente naturaliza as traições como uma válvula de escape masculina para buscar algo que falta, algo que supostamente não poderia faltar no relacionamento com uma mulher perfeita. e sabe o que falta num homem que põe chifre?

prefeitura+de+laranjeiras+do+sul[1]

pra mim isso é válido em todo tipo de deslealdade, seja romântica, com amigo, com a família, com o emprego – principalmente a parte da coragem. quando você precisa mentir e trair pra fazer algo que quer, quando precisa ser escondido é porque por algum motivo você não tem coragem de assumir seus reais desejos. a questão não é beijar ou fazer sexo com outra pessoa, mas é sair do combinado, não sabe manter a palavra, ou seja, prometer algo que você não está disposto a doar.

falo isso com o maior dos conhecimentos de causa porque chifre já levei e já presenteei. em ambas as vezes reconheço um belíssimo caso de falta de coragem por parte do chifrador. percebam, eu era adolescente, inconsequente e meio escrota quando fiz. criei mil razões em minha cabeça pra fazê-lo “estou apaixonada verdadeiramente”, “estou amando”, “o cara que eu trai é um escroto e já me sacaneou” e, sabe, deborinha adolescente, essas não colam. se o cara é um escroto, termina. tá amando? vai ser feliz sem enganar ninguém. não traia. não seja desleal. tenha coragem de assumir quando você quer uma coisa e quando não quer, abrace as consequências e não magoe ninguém no processo. simples assim.

não entender que o traídor é sempre apenas um covarde é também uma roubada que faz a gente se culpar quando é traída. e, believe me, todas podemos ser traídas. na minha vez eu inventei mil defeitos em mim pra justificar: “estou gorda”, “estou desinteressante”, “sou burra”, “sou sem graça”.

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– fizeram algo errado comigo, logo a culpa deve ser do brigadeiro a mais que eu comi, ctza.

enfim, o mais triste é o quanto essa questão da traição é reduzida a mais uma ferramenta de controle da sexualidade da mulher. quando uma mulher é traída a gente espera que ela chore por não se sentir suficiente – afinal tem de ser perfeita para ser merecedora de um homem. mas quando um homem é traído, a gente espera que ele seja violento pra defender sua honra, afinal ele tem posse sobre a mulher e isso foi maculado.

ao mesmo tempo que está rolando essa história da Brit, também rola por aí no universo negro do whatsapp (pior que deep web) um revenge porn pesadíssimo do cara que pegou a mulher com outro na cama e encheu a lata dela. e, sabe, tá tudo errado. tudinho. porque mulher nenhuma por motivo algum no mundo merece apanhar.

bater em uma mulher é só renovar o voto de posse que os homens pensam ter sobre ela. traiu? tá errada, tá escrota. merece uma conversa séria, talvez um término de relacionamento, tem que sentar no cantinho ali pra pensar com calma sobre a cagada que fez. mas quando você reage com violência à traição demonstra um sentimento de posse sobre o outro. e pode estar casado faz trinta anos, amigo, ninguém é dono de ninguém. o relacionamento, o amor ainda podem acabar. e pode ser que vocês não saibam lidar com isso.

a traição é uma escolha pessoal do traidor. por isso eu penso que ela não merece nenhuma atitude do traído fora a auto preservação e talvez uma dose de humor pra lidar com isso. você não precisa lavar sua honra. você não manchou sua honra. a gente mancha a honra quando a gente faz escrotice com os outros, mas se você foi traído a história só tem um babaca e esse babaca não é você.

por isso que, pra mim, Britoca está tirando de letríssima esse lance de tomar chifre. sem processos, escândalos, violência, dando risada da babaquice que o David Lucado fez, usando o caso como recheio de uma piada em que o palhaço é o covarde que não sabe ter lealdade.

aprendamos que, em vez de ficar sentindo pena de sí mesma quando tomar chifre, a gente tem é que sentir pena da pessoa que poderia ter um relacionamento ou um término de relacionamento bacana, poderia ter tido uma atitude mais sincera contigo mas não teve coragem e optou pelo caminho da mentira. sinta pena de quem não sabe resolver os próprios problemas. e enxergue que você não tem defeito nenhum que mereça deslealdade de nenhum tipo.

ah, e eu não acho que todo traído deve terminar o relacionamento. existem mil histórias, erros acontecem, cada um vive uma realidade. por mais triste e difícil que seja, o que acontece após uma traição só diz respeito aos acordos feitos entre o traído e o traidor. conheço casais felizes que superaram traições, conheço casais infelizes que nunca traíram. não dá pra gente vender uma fórmula de casamento perfeito. mas, caso você resolva dar um pé na bunda do covarde, aprenda a comemorar com a Britney que tudo tem um lado bom.

Adesivos, uma viagem sem volta

Esses dias a Jan, amiga maravilhosa dessa minha vida, me convidou pra ir em um bazar de adesivos com ela. Eu não entendi muito bem o que era, mas a Jan nunca me coloca em roubada. Lá fui eu, rumo ao tal bazar da Signo. E, bem, sabe aquelas coisas que não adianta explicar, apenas sentir? Peguem na minha mão de ~blogayra de ~designerz e vejam fotos:

adesivos_signo5

adesivos_signoadesivos_signo4adesivos_signo2

adesivos_signo3

adesivos_signo1Viram que o esquema é pesado, né? Drogas complicadíssimas de desviciar.

Enfim, explicando agora que vocês viram, eu vi por lá essencialmente quatro tipos de adesivos para vender: os tipo pôster (como esse último da Frida que eu choro noite e dia por não ter comprado), os com padrões para aplicar em móveis ou paredes (como os rolos da primeira foto), os estilo decalques adesivos e os perfurados (sabe aquele adesivo que vai em propaganda de ônibus, que é todo furadinho pra luz entrar? Aquilo). Os padrões dos rolos e imagens dos pôsteres são super “coisas que vemos no Pinterest e nunca achamos por aqui” e a qualidade da impressão é de fazer o queixo despencar ladeira abaixo. Também tem objetos de decoração bacanudos, como o alce de parede e almofadas (eles imprimem tecido também).

Pelo que a dona me explicou (desculpa, juro que não consigo lembrar seu nome, mas lembro que seu cabelo é uau!), o que acontece por lá é que ela tem uma gráfica que faz adesivos por encomenda e vende também adesivos prontos. Ela aproveita, muitas vezes, espaços no rolo de impressão de alguma encomenda para criar coisas bacanas – por isso sempre tem novidade legal. E nesses bazares que ela faz, pelo que entendi, mais ou menos de três em três meses, os preços caem até 80%. 

O legal é que quando você está lá percebe que não é só uma gráfica fazedora de linguiças, sabe? Tem pesquisa e criação, tem sim. Inclusive toda a decór do galpão é com adesivos e tem idéias very very enlouquecedorinhas:

adesivos_signo6

Como esse tapete aplicado com acabamento fosco.

adesivos_signo7

ou esses adesivos colados sobre o acrílico e fazendo quadrinhos adoráveis

adesivos_signo8

ou esse espelho que, serio, olha esse espelho, ele é um adesivo na moldura, fim, acabou, não há nada mais a ser mostrado.

Eu fui em dia de bazar, tava mega liquidando, gastei oitenta reais e trouxe: uns três rolos de textura, 4 decalques e uma pá de pôster em diversos tamanhos. Ainda não consegui usar metade, pra vocês terem uma ideia. Um dia depois, sai colando tudo possuidíssima pelo ritmo ragatanga:

adesivos_signo9

decalques de flor lindinhos nas gavetas

adesivos_signo10rolo de textura meio sessentinha pra disfarçar essa baguça horrenda no rack

adesivos_signo11

adesivos de star wars e do sgt. peppers em cima do som ❤ o quadrinho de moldura preta também é um adesivo aplicado a um desses quadrinhos de cozinha de loja xing ling, sabem?

adesivos_signo14

Na porta do lavabo ❤

adesivos_signo13MINHA MUTHERFUCKER FUCKING AWESOME GELADEIRA DE GATOS <3.

Se você também quer ser possuída pelo ritmo ragatanga e colar adesivos igual eu, a Signo fica na Rua Pedro Nolasko Pizzato, 530, no Mercês. Não sei como eles funcionam fora do bazar, mas acho que vale a visita porque dá pra pirar em ideias realmente muito legais.

Adesivos, uma viagem sem volta

Esses dias a Jan, amiga maravilhosa dessa minha vida, me convidou pra ir em um bazar de adesivos com ela. Eu não entendi muito bem o que era, mas a Jan nunca me coloca em roubada. Lá fui eu. rumo ao tal bazar da Signo. E, bem, sabe aquelas coisas que não adianta explicar, apenas sentir? Peguem na minha mão de ~blogayra de ~designerz e vejam fotos:

adesivos_signo5

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adesivos_signo1Viram que o esquema é pesado, né? Drogas complicadíssimas de desviciar.

Enfim, explicando agora que vocês viram, eu vi por lá essencialmente quatro tipos de adesivos para vender: os tipo pôster (como esse último da Frida que eu choro noite e dia por não ter comprado), os com padrões para aplicar em móveis ou paredes (como os rolos da primeira foto), os estilo decalques adesivos e os perfurados (sabe aquele adesivo que vai em propaganda de ônibus, que é todo furadinho pra luz entrar? Aquilo). Os padrões dos rolos e imagens dos pôsteres são super “coisas que vemos no Pinterest e nunca achamos por aqui” e a qualidade da impressão é de fazer o queixo despencar ladeira abaixo. Também tem objetos de decoração bacanudos, como o alce de parede e almofadas (eles imprimem tecido também).

Pelo que a dona me explicou (desculpa, juro que não consigo lembrar seu nome, mas lembro que seu cabelo é uau!), o que acontece por lá é que ela tem uma gráfica que faz adesivos por encomenda e vende também adesivos prontos. Ela aproveita, muitas vezes, espaços no rolo de impressão de alguma encomenda para criar coisas bacanas – por isso sempre tem novidade legal. E nesses bazares que ela faz, pelo que entendi, mais ou menos de três em três meses, os preços caem até 80%. 

O legal é que quando você está lá percebe que não é só uma gráfica fazedora de linguiças, sabe? Tem pesquisa e criação, tem sim. Inclusive toda a decór do galpão é com adesivos e tem idéias very very enlouquecedorinhas:

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Como esse tapete aplicado com acabamento fosco.

adesivos_signo7

ou esses adesivos colados sobre o acrílico e fazendo quadrinhos adoráveis

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ou esse espelho que, serio, olha esse espelho, ele é um adesivo na moldura, fim, acabou, não há nada mais a ser mostrado.

Eu fui em dia de bazar, tava mega liquidando, gastei oitenta reais e trouxe: uns três rolos de textura, 4 decalques e uma pá de pôster em diversos tamanhos. Ainda não consegui usar metade, pra vocês terem uma ideia. Um dia depois, sai colando tudo possuidíssima pelo ritmo ragatanga:

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decalques de flor lindinhos nas gavetas

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rolo de textura meio sessentinha pra disfarçar essa baguça horrenda no rack

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adesivos de star wars e do sgt. peppers em cima do som ❤ o quadrinho de moldura preta também é um adesivo aplicado a um desses quadrinhos de cozinha de loja xing ling, sabem?

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Na porta do lavabo ❤

adesivos_signo13MINHA MUTHERFUCKER FUCKING AWESOME GELADEIRA DE GATOS <3.

Se você também quer ser possuída pelo ritmo ragatanga e colar adesivos igual eu, a Signo fica na Rua Pedro Nolasko Pizzato, 530, no Mercês. Não sei como eles funcionam fora do bazar, mas acho que vale a visita porque dá pra pirar em ideias realmente muito legais.

Come shimeji na manteiga sim

Esses dias fui em um restaurante e pedi pela primeira vez na minha vida um Shimeji na manteiga. Assim como quando o Bandeira viu a moça nuinha, “foi meu primeiro alumbramento”.

Aí, o marido comprou shimeji pra fazer um risoto afrescalhado (olha minha cara de quem sabe fazer risoto afrescalhado) e, bem, tinha shimeji, manteiga e internet sobrando. Achei que era dessas receitas complexas nipônicas que eu nunca saberia fazer, mas não é. É mais fácil que miojo.  Improvisei baseado no que eu li:

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Ingredientes
– Punhadinho de shimeji
– Duas colheradas de manteiga com sal
– Uma colherada de açúcar
– Duas colheradas de shoyu
– Punhado de cebolinha

Modo de preparo:
Derreta a manteiga em fogo alto. Derreteu? Taca o shimeji e vai mexendo ele por uns dois minutos, pra fritar por inteiro. Mexe com aqueles pão-duros de silicone – eles não soltam lasca, não impregnam, não deformam a comida e não derretem. Eles são seus amigos. Depois, põe o açúcar e as duas colheradas de shoyu e deixa mais uns dois minutos, pra reduzir. Vai virar um caramelinho delícia. Tira do fogo, joga a cebolinha picada em cima e tá pronto.

É fácil. É rápido. É chuchu beleza. É tão bom que faz nem meia hora que eu comi isso e já quero mais. Na próxima, vou colocar lascas de cebola e ver o que rola.

Stop the beauty madness

A Britney de Santo André, Miss Borboletando, me convidou pro#desafiocaralimpa e aqui estou. É difícil me ver sem maquiagem e é bizarro porque… Eu nasci sem isso?

Quando comecei a fazer terapia e enfrentar minha depressão uma ferramenta que me ajudou foi ler blogs de beleza. Me fez descobrir que me enfeitar não me deixa mais burra e me abrir contra a dicotomia da futil gostosa x a feinha inteligente. Descobri que passar um batom não derrete meu cérebro e que fazer look do dia não me faz estúpida. Descobri que qualidades podem coexistir desde que a gente não aceite os rótulos. Foi uma das minhas primeiras libertações. Mas também foi uma prisão que me fez pensar que eu deveria seguir alguns padrões que, bem, não são obrigatórios. Confuso, né? Confesso que o conforto de me encaixar em uma turma pela primeira vez na vida foi a cilada.

Mas hoje sei e tenho orgulho de ser linda como todas somos e tomar consciência disso a cada dia. Acho que ser mulher na nossa época é conquistar o direito de testar e se descobrir – já faz um ano, por exemplo, que venho me desintoxicando passo a passo, do consumismo como forma de me fazer ser aceita. Não preciso ter o batom e a bolsa certa pra ser amada por ninguém. Essa semana, por exemplo, parei de seguir tudo que me incentivava a consumir mais do que a pensar. Isso não significa não comprar roupas e maquiagens e ler blogs de estilo, apenas selecionar os que são escritos para quem gosta e não para quem usa isso como guia de fuga da realidade. Faço marketing de conteúdo e gosto de ter esse cuidado com meus clientes também, acho que é meu papel como cidadã trabalhar com ética e sem vender a alma para a armadilha de destruir a auto estima da mulher para fazê-la comprar. Acredito muito mais em empoderamento. Acho também que o mundo esta mudando nesse sentido, ainda bem.

Tirar a maquiagem não deveria ser um desafio nem um alivio, deveria ser algo normal. Nascemos sem mascaras. Não precisamos delas para nada. Se sua forma de me incentivar a cumprir esse desafio é dizer que eu nem preciso de maquiagem (um comentário comum) saiba que eu agradeço mas a verdade é que isso não é elogio: ninguém precisa de maquiagem. Não existe uma beleza base que não precisa se mascarar, esse padrão excludente provoca com que quem não se encaixa use a maquiagem como disfarce para ser igual. Igual é entediante. Todas somos lindas do jeito que somos, da forma que temos, a beleza maior é a diversidade. Usamos porque gostamos.

nomakeup

A maquiagem, como todas as suas atitudes, deve ser algo pra você e não pra se adaptar ou encaixar na idealização do outro. Foi uma longa caminhada racionalizar isso e os sentimentos ainda me traem quando tento praticar. Mas um passo de cada vez é o que nos torna mulheres cada dia mais livres.

Desafio minhas companheiras da Casa, mulheres que me ensinaram a amar ser quem eu sou e me aceitaram independente de expectativas, a participar: Wiczneski, Sheilla, Julia e Pri estão convidadas, caso queiram.

Quem quiser mais informações sobre o projeto pode visitar o site e participar também. Stay beautiful & strong!

cidadania (mesmo quando você ta com pressinha)

Hoje eu sai pra fazer uns exames e não encontrava lugar pra parar o carro de jeito algum. Não encontrava porque alguns motoristas com um problema de percepção de espaço realmente grave estavam ocupando o lugar de dois carros deixando meio espaço pra frente e meio espaço pra tras, coisa que certamente leva ao inferno:

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Sabe, isso em uma das ruas mais difíceis de achar vaga e sem estacionamento pago algum por perto, a Sete de Setembro, aqui em Curitiba. Olha, eu não compreendo, gente, deve ser algum problema cognitivo. O asno abaixo, por exemplo, procurou vaga ao meu lado por minutos e minutos. Quando achou, parou assim:

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E ainda saiu assobiando, juro. É muita falta de empatia com o coleguinha pra minha cabeça.

Se você tem familiares que sofrem dessa doença grave chamada egoísmo, dívida com eles esse alerta: o pinto de ninguém nunca caiu por ser um pouco melhor que isso. Obrigada.

 

 

Hate that I love you so: Emily Handerson e Jonathan Adler

Às vezes eu tenho a impressão de que a vida era melhor antes da internet. Veja, antes da internet eu achava que as casas bem decoradas e bonitas só existiam mesmo em novelas da Globo e eu realmente não me questionava sobre essas coisas de todos os sofás do mundo serem cáqui (a forma educada de dizer cor de cocô, imho) ou dessa mania horrorosa que o povo tem de botar quadro na altura errada (gente, como vocês não ficam incomodados, plmdds?).

Mas aí veio a internet e eu descobri que sou apaixonada por decoração e que sou uma semi-mexicana de tanto que gosto de colorido. Pior, veio o Pinterest, esse anti-Cristo pós moderno, me tentar com muitas coisas que agora eu sei que existem no mundo real, mas não no meu. E foi nele que eu descobri a pessoa que eu mais odeio no mundo nesse momento:

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Emily Handerson, você me machuca só em existir

Não é porque ela se vista perfeitamente bem, não é porque só de olhar pras fotos dela eu já quero ser melhor amiga de alguém que represente tanto as cores mesmo sabendo que nunca vai acontecer, não é porque ela trabalha como decoradora-blogger-apresentadora de programa de decoração reunindo todos os empregos dos meus sonhos, não, não é isso. Mas é porque ela fez essa sala, e veja, ela não fez pra mim:

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E isso eu considero traição

Faz uns meses que eu encontrei os pins dessa sala e me apaixonei. O engraçado é que encontrei em pedaços, fotos de ângulos diferentes, pinei separadamente e demorei um pouco pra descobrir que se tratava do mesmo lugar – a saber, uma sala que ela reformou pra Bri Emery’s – outro ser odiável sobre o qual falaremos em outro momento.

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E ainda tem tapete pintado a mão, eu te odeio tanto, Emily.

Comecei a ficar obsessiva pela sala num grau absurdo, de começar a procurar ítens parecidos para decorar a minha (e ficar tão feliz do meu sofá já ser dessa cor), de me desesperar por pequenos objetinhos de decoração douradinhos, de me apaixonar por tudo que é planta e vaso que pudesse viver dentro de casa, de querer roubar tudo pra mim.

bri_and_catAté o gato, cara. Até o gato é maravilhoso.

Tudo que sei é que cheguei a sonhar que essa sala era minha, mas, bem, me recolhi a minha insignificância de procurar designs da Emily por aí pra pinar. Foi assim que passei pro nível 2 da desgraça ao descobrir essa poltrona em um quarto que ela fez. Essa poltrona criada por Jonathan Adler, um designer que, posteriormente, eu descobri que a Emily super usa em suas criações.

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Essa poltrona que uma rica leitora me enviará de Natal

Cara, se não existisse internet e eu tivesse visto essa merda, sei lá, na Caras, eu ia achar bonito e não ia saber mais sobre e ia colocar isso no mundo das ideias inalcançáveis – tipo quando a gente lê sobre pessoas em Spas no Castelo de Caras e pensa “deve ser legal, mas, né, eu nunca vou no Castelo de Caras”. Mas tem essa internet e toda essa sensação estúpida de que tudo está ao meu alcance, então, claro, eu dei um Google no nome desse infeliz.jonathanadler1

E descobri nesse blog que essa é a loja dele

Descobri também que as criações dele são guiadas por um manifesto que ele escreveu, um manifesto que diz basicamente “Debora, eu acredito em tudo que você acredita, me abraça, vamos colher amoras correndo nus pelo Himalaia”.

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Mas não é porque ele acredita em tudo que eu acredito que ele vai facilitar as coisas. A cadeira pela qual eu to apaixonada, por exemplo, custa $1595,00. Sim, dólares. E sabe do que mais? Navegando pelo site dele, descobri que tudo que ele faz é lindo e maravilhoso e que, francamente, vá a merda Jonathan Adler. Eu odeio você.

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babaca. deve ter um chulé horroroso.

Mas enfim, como a vida é o que é, eu tenho minha sala parcamente iluminada com um sofá que eu reformei seguindo dicas da Emily espiritualmente antes mesmo de conhece-la, com móvel herança ~reformado por mim e o sofá tá desgraçadamente manchado e furado pelos gatos – aliás, o Anakin é uma versão magrela do tal gato da sala que começou tudo isso e com a poltrona que o marido herdou do vô dele e eu já pensei em reformar em oito cores diferentes.

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Ou seja, um Cospobre de todo esse universo desses dois seres detestáveis sobre os quais falei.

Só posso dizer que a minha vó tinha razão quando dizia que Internet é invenção do capeta que influencia a gente a querer coisas ruins pra nossa vida, tipo querer ser rico e milionário e ter essas poltronas. Eu realmente prefero Caras a internet. Caras dói menos.

E ainda tem a Regininha sendo feliz em NY ❤