“Fulana pode”

Oi, eu sou aquela pessoa que costumava postar aqui faz pelo menos um mês, cês lembra? Aí hoje eu voltei por um motivo muito importante, eu vim entregar minha cabeça ao julgamento da sociedade secreta feminazi contra a família (nós) porque, perdão, fui machista.

Ontem estava com um grupo de amigas lindas e uma estava contando sobre sua foto de barriga de fora. Vocês já tiveram a sensação, enquanto dizem umas palavras que elas ao sair já são idiotas mas não tem como parar a frase no meio? Então, ao elogiar eu disse “ela pode, né”.

Poxa, que mancada.

É claro que ela pode: o corpo é dela, ela faz o que quiser. Só que essa minha amiga é magrinha, tem uma barriga sequinha e era disso que eu tava falando. E isso é bem besta porque na tentativa de fazer um elogio, afinal a foto da minha amiga ficou mesmo absurdamente linda, eu optei por reforçar um estereótipo de só magrinhas podem, eu optei por dividir o mundo entre quem pode isso ou aquilo.

Mancadíssima, cara.

Sabem, quem pode usar roupa curta ou comprida é quem quiser usar roupa curta ou comprida. Meio que o dono do corpo decide se pode fazer o que quiser fazer e estamos todas de boas. Todas lindas e deboas, aliás.

Quando a gente cresce em uma sociedade machista é muito comum que a gente internalize conceitos de dominação dos corpos – tipo determinar o que alguém pode usar pelo seu peso ou não. A gente tem isso tão interno que não consegue se libertar sem um fórceps. Pra mim, as três fases da libertação são:

1. Conseguir não dizer ao julgar
2. Conseguir não julgar at all
3. Conseguir aplicar a você

Ontem enquanto eu dizia eu percebi que estava falando uma asneira, mas não consegui no contexto pedir desculpas aos envolvidos porque não é normal você falar isso e depois dizer ‘NOSSA DESCULPA DESCULPA NÃO FOI ISSO QUE QUIS DIZER DESCULPA” e, enfim, fiquei matutando. A previsão é em breve eu não me importar com barrigas de fora nos outros e nos próximos passos até usar. Mas por hoje, só por hoje, eu quero dizer: magras e gordas, com curvas ou não: somos todas lindas e ficamos fabulosas quando nos sentimos bem e à vontade, a escolha de roupa é problema só da dona do corpo.

Eu dizer que alguém pode ou não baseada na taxa de gordura da referida não é um problema com vocês – é comigo. Eu internalizei esses conceitos, eu absorvi isso e reproduzo não confiando em mim mesma, me condenando por estar acima do peso o tempo todo. Eu preciso é me aceitar e me livrar disso, não condenar por aí. Sis, cês desculpam a mancada?

Então estendo o mindinho aqui pra vocês fazendo pink promisse: nunca mais julgar pela barriguinha de fora de novo? Combinado.

(Já pra bonita que tava na foto: você pode sim. Você não tava bonita porque é magra. Você tava bonita porque tava confortável e deboíssima).

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2 pensamentos sobre ““Fulana pode”

  1. Vi uma selfie de uma amiga com shortinho e blusinha e barriga de fora e pensei “que roupa mais inadequada para uma mãe, será que ela não pensa nos filhos e em como não expor a família dela na rede…” daí umas duas horas depois a mesma amiga posta uma foto de calça e blusa com a legenda “pronto uma foto mais comportada”.

    Meu mundo caiu! Eu julguei em silêncio no conforto do meu sofá, porque apesar de ter todos esses preconceitos internos meu superego funciona a ponto de eu saber que cada um faz o que bem entende com seu corpo e eu não sou nada nem ninguém para julgar (em voz alta ou letras garrafais). Mas eu julguei.

    E essa amiga deve ter ouvido tanta besteira que sentiu a necessidade de postar uma foto ” comportada” como satisfação a uma sociedade hipócrita, machista e podre.

    Já passei da fase de não reproduzir essas asneiras mas também estou trabalhando a fase de não julgamento at all e a auto aceitação.

  2. Copiando agora e mandando por email pra todas as meninas do trampo que vivem dizendo que eu devia andar de barriga e bunda de fora porque sou magra.
    Não ando porque não acho necessidade (na praia tem necessidade e eu uso biquini super de bouas), não me sinto confortável e isso fica claro porque eu fico travada e prestando atenção a cada movimento e não aproveito uma fração do momento, seja ele qual for.

    Eu canso de dizer pra elas que ser bonita tem muito mais a ver com se sentir confortável com seu corpo do que com realmente ser bonita no apecto “socialmente dita como bonita”….quem sabe elas ouçam você mais do que me ouviram até hoje.

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