motivo pra perder a fé na humanidade do dia

todo dia eu levanto da cama, faço carinho na gata, lavo o rosto, tomo meu café e penso “hum, hoje vai ser um dia bom”. aí invariavelmente eu abro a internet e em cinco minutos eu já tenho dez motivos pra querer voltar pro útero da minha mãe e nunca mais sair de lá. pois vejam só que uns dias atrás a Emma Watson fez um discurso lindo e emocionado para a ONU, falando sobre feminismo, desbancando preconceitos sobre o tema e falando sobre como isso afeta homens e mulheres e como todos devem se envolver nas mudanças necessárias:

não por coincidência, hoje surgiu um site, com a logo do 4chan, ameaçando expor fotos nuas da atriz. pra mim, fica claro que as duas coisas têm relação. em uma notícia, encontrei mensagens de usuários do 4chan dizendo que “essa putinha feminista” vai ter o que merece. é 2014 e mulheres ainda são humilhadas por serem fortes e ameaçadas por serem feministas. é 2014 e as pessoas ainda acham que expor a intimidade de uma pessoa, famosa ou não, é de interesse público e que “se não quisesse que outras pessoas vissem, era só não fazer”.

nenhuma mulher deveria ser impedida de  tirar fotos do jeito que ela bem entender. se ela quiser que essas fotos sejam divulgadas para o grande público, existem revistas e sites especializados nisso. se não foi a escolha dela, talvez ela só queria tirar a foto para um parceiro/a ou, vejam só que inacreditável, porque era algo que ela queria fazer para ela mesma.

no fim das contas, talvez não vazem as fotos. mas o mais horrível, por enquanto, não é nem isso: é perceber que tornar o corpo feminino algo vergonhoso e a desapropriação dos direitos da mulher ainda são respostas vistas como válidas contra a luta pelos direitos iguais. um discurso apaixonado sobre como o mundo ainda não é um lugar justo para as mulheres é respondido com violência. tá tudo errado.

ps: tem um texto muito legal da Chez Noelle sobre o caso da Jennifer Lawrence que ainda se aplica a esse caso e muitos outros.

Sam Pepper e por que precisamos de feminismo

Sam Pepper, um ex-BBB britânico e atual babaca completo, publicou ontem um vídeo no seu canal do YouTube em que ele veste um moletom bem largo, que faz parecer que ele está com uma das mãos no bolso, enquanto ele está com a mão livre, escondida na roupa. ele se aproxima de mulheres na rua pedindo informações e pega na bunda delas.

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vou repetir: ele se aproxima de pessoas que estão simplesmente vivendo a vida na rua e agarra a bunda delas. e diz que foi outra pessoa, afinal, ele tá com a mão no bolso. ele chama isso de pegadinha. eu chamo isso de  assédio. eu chamo isso de violência. eu chamo isso de escrotice. eu chamo isso de falta de respeito. eu chamo isso de cultura de estupro.

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é claro que desde então a internet explodiu em opiniões de quem ficou revoltado com essa babaquice e quem não vê problema, porque “é só uma piada”. é a mesma desculpa que escutamos quando qualquer pessoa privilegiada faz uma coisa errada e depois diz que é só uma piada – Danilo Gentili “”””sofrendo racismo”””” por ser chamado de palmito, alguém?

vou desenhar bem desenhadinho aqui caso alguém não consiga entender pela escola  da vida: mulheres são humilhadas e diminuídas todos os dias de sua vida simplesmente por serem mulheres. a sexualização das mulheres é válida desde que sirva ao propósito de agradar homens ou servir de piada. pois vejam só: ser humilhada não é engraçado. se alguém me pedisse informações na rua e cuspisse na minha cara, dá na mesma que pegar na minha bunda e postar no YouTube.

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a primeira menina do vídeo (que você pode assistir nesse link sem dar audiência pro canal original do Sam Pepper) se mostra claramente envergonhada com a situação e ele chega a mostrar a “mão falsa” pra ela. ela fica horrorizada e diz “eu não gosto disso” várias vezes. dá pra ver que ela fica desconcertada, como qualquer mulher fica nessas situações de assédio. ele vai lá e dá um abraço nela – o abraço mais esquisito, horrível e enojante que você poderia imaginar.

esses tempos eu li alguém comentando que ser mulher hoje em dia é como ser uma bicicleta em uma cidade feita para acomodar carros. você até consegue encontrar algum espaço, mas você sempre corre mais riscos e passa muito mais tempo que deveria ser necessário tentando se manter em segurança. ainda assim, alguns carros simplesmente negam que você deva ocupar esse espaço e alguns carros querem que você saia da rua de qualquer forma, e para isso, estão dispostos e causar algum tipo de acidente.

nesse caso, o Sam Pepper é uma SUV atropelando uma bicicleta que estava andando na ciclofaixa. mas pelo menos dessa vez, todo mundo está olhando e as medidas cabíveis podem ser tomadas. eu tenho esperança.

 

ano pessoal sem carro

como vocês devem saber, hoje acontece, em várias cidades, o Dia Mundial Sem Carro. eu acho a iniciativa bem bacana, embora esse ano eu não possa participar – afinal, to aqui fazendo meu próprio projeto “ano pessoal sem carro”. em 2013 minha irmã se mudou para São Paulo e no comecinho do ano eu e o Jorge nos mudamos para um apartamento que fica a menos de três quilômetros do trabalho dele. como o carro era meu e da minha irmã e eu trabalho em casa, decidimos vender o carro, cada uma ficar com a sua parte e depois ver o que fazer.

eu e o Jorge sentamos, fizemos as contas e vimos que pra nós, não valia a pena ter carro por enquanto. porque afinal, quando você tem um carro, você não paga só pelas prestações do veículo – tem também seguro, gasolina a preços exorbitantes, estacionamento, eventuais multas, IPVA e a vida fazendo umas piadas sem graça com você. ano passado, por exemplo, eu tava parada num sinal vermelho e veio um espertão a 60km/h pra embucetar a traseira do meu carro. amassou a lataria, estragou o radiador (porque eu bati no carro da frente), gastei uma grana no hospital fazendo exame pra ter certeza que minha coluna não tinha saído do lugar, perdi encomenda porque não conseguia nem me mexer direito de tanta dor e ainda demorei um ano pra conseguir que o cara me pagasse pelo Juizado Especial. delícias de ter carro.

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com todos esses custos embutidos e sem a absoluta necessidade de ter um veículo pra resolver a vida diariamente, resolvemos usar ônibus, bicicleta (no caso do Jorge, já que eu sou uma pata de 26 anos que ainda não sabe andar de bicicleta) e eventuais táxis, quando necessário – e ainda assim a conta sai bem mais barata que ter um carro.

uma coisa que eu percebi desde janeiro é que, tendo veículo, a gente depende dele muito mais que precisa. pega o carro pra fazer qualquer coisinha que precisa resolver na rua, mesmo que seja perto. eu tenho sorte, porque quando é absolutamente necessário  (tipo pra fazer entrega de bolo de casamento de três andares), consigo pegar o carro emprestado com a Debs, com o meu cunhado, com bons amigos dispostos a ajudar.

mas por exemplo, eu sempre ia ao mercado pertinho de casa de carro. é melhor pra quando tem que fazer compras maiores e coisas mais pesadas, mas eu simplesmente aprendi que eu consigo carregar um bom tanto de peso por umas cinco quadras até chegar em casa, e também descobri que tem um ônibus aqui do ladinho de casa que pára do lado de um mercado. às vezes vejo as pessoas me olhando como se eu fosse boba por pegar ônibus pra andar só dois pontos, mas veja só, to ali comprando saco de 5kg de açúcar e farinha sem precisar de carro.

sem o carro, eu também passei a reforçar (um pouco por necessidade, claro) a importância de comprar em pequenos negócios ou negócios mais próximos. sem carro pra ir no Mercado Municipal sempre que eu preciso, eu me obrigo a ir na feirinha de rua que tem a uns dez minutos de casa toda sexta-feira. se eu preciso de comida ou areia pra gata, tem um pet shop aqui pertinho. descobri que tem uma pizzaria do lado de casa que é ótima. tem a lojinha de  cerveja que abriu na frente de casa que tem os preços bons e eu não preciso ir até o centro pra encontrar coisa legal.

mesmo assim, tem algumas coisas que requerem um esforço maior. a gente agora mora em um bairro que só tem mercados mais ~classe A, o que é ótimo para algumas coisas, mas é deprimente quando você vê frutas e vegetais num preço ridículo. então eu simplesmente aprendi a me esforçar um pouco mais: uma ou duas vezes por semana eu pego o ônibus e vou pro centro de Curitiba, onde tem hortifruti, sacolão, padaria e loja de queijos com preços ridiculamente baratos e bons produtos. pago menos que a metade do preço do mercado, compro em negócios familiares e volto pra casa de ônibus.

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outra coisa que eu percebi que me tranquiliza muito mais é que, como eu não estou dirigindo, eu não preciso ficar me estressando com os motoristas estúpidos dessa cidade (e ssassinhora, como tem motorista ruim) e posso simplesmente gastar o meu tempo em trânsito lendo um livro.

eu sei que sou privilegiada porque trabalho em casa e posso fazer meu próprio horário e escolher pegar o ônibus nos horários mais vazios

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mas mesmo que não fosse assim, acho que vale a pena repensar um pouco como a gente usa o carro. às vezes você não precisa usar pra tudo que você usa atualmente. às vezes vale a pena pegar um ônibus que demora dez minutos a mais e não ter que procurar vaga e nem pagar por estacionamento. às vezes vale a pena andar um pouquinho pra resolver alguma coisa na rua porque, ué, andar faz bem e ainda é de graça. muitas vezes eu sinto falta de ter um carro, mas pelo menos hoje em dia eu sei que não preciso de um pra resolver tudo que eu preciso.

5 receitas pra te salvar

depois de algumas semanas de Curitiba achando que era uma cidade feliz que não sabe o que é inverno, estamos entrando na primavera de novo com frio – com ele, a preguiça eterna de uma mente com sinusite. pois bem, esse post é pra dar ideia pra quando você tá naquela pregs absurda e com zero criatividade.

aqui em casa quem cozinha normalmente é meu namorado – eu já trabalho na cozinha o dia inteiro e ele é bem melhor nas panelas do que eu, mas às vezes eu dou uma folga pra ele (ou simplesmente to com preguiça de lavar louça depois, já que aqui o “se eu cozinho eu não lavo” impera e eu inevitavelmente acabo com uma pia cheia de louça pra lavar). como eu não sou lá a maior especialista em pratos salgados, eu dependo de algumas receitas boas, fáceis, simples e deliciosas pra me salvar nesses dias, e acho que elas podem salvar vocês também : )

* frango com limão rosa e páprica

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a receita e esse prato lindo por favor alguém me dá são do Moldando Afeto. o negócio é rápido, fácil e fica muito saboroso. o frango não fica seco, o molhinho (que o forno faz sozinho, sem nenhum esforço) é uma delícia pra comer com arroz, é uma receita muito fácil. fica bem bom com arroz basmati (que eu acho mais saboroso que o arroz branco e cozinha super rápido) e uma saladinha. dez minutos na cozinha e você deixa tudo pronto, o resto o forno resolve – quase uma refeição de 15 minutos do Jamie Oliver, mas essa eu juro que dá pra preparar em 15 minutos de verdade.

* nhoque de ricota com molho amanteigado

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nhoque. manteiga. limão. tomilho. não tem o que dar errado. essa receita é do maravilhoso Technicolor Kitchen e eu já fiz muitas vezes. o nhoque é super rápido de fazer (a parte mais demorada é fazer os rolinhos e cortar, mas, sinceramente, eu acho super divertido fazer isso), o molho é super simples e absolutamente delicioso – e dá pra fazer com qualquer outro molho que você tiver em casa/quiser fazer, claro. eu sempre esqueço de fazer isso, mas sempre dá pra dobrar a receita e congelar o que sobrar pra ter nhoque prontinho pra quando bater o desespero : )

* frango com 40 dentes de alho

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eu sei que o nome é um pouco assustador, mas juro de pé junto que fica bom. o alho cozinha por  bastante tempo, derrete e vira parte do molho desse frango delicioso. é claro que fica com bastante sabor de alho, mas não é uma coisa “eca, tem alho demais nessa parada”, é tipo “NOSSA QUE MOLHO MARAVILHOSO TEM ALHO AQUI, NÉ?”. essa receita demora um pouquinho pra ficar pronta, mas o fogão faz todo o trabalho, você só tem que ter um pouquinho de paciência. a receita rende pra caramba, mas sempre dá pra fazer menos ou fazer a quantidade inteira e congelar o que sobra, né. sem drama, só muito alho e amor.

* ovos no purgatório

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na verdade eu vou admitir que to compartilhando a receita mas, quando eu fiz esse prato, eu fiz meio na raça, no xablau. mudei alguns dos temperos, fiz com tomate pelado em lata em vez de tomate “de verdade” (se bem que acho melhor não fazer com molho/extrato de tomate, porque é legal que fiquem pedacinhos do tomate, sem dizer que fica muito mais gostoso), mas é basicamente isso: você faz um molho de tomate bem encorpado, apimentado e saboroso, joga uns ovos lá no meio, deixa a clara cozinhar e a gema ficar molinha, pega um pão crocantinho e gostoso e come potiando o pão nesse molho maravilhoso. é bem feliz, bem rápido e bem simples.

* focaccia di recco

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ok, novamente, tenho que admitir que to meio que mentindo. eu nunca fiz essa receita aqui em casa – a gente já comeu isso umas quinze vezes e sempre foi o Jorge que fez, mas é tão fácil e tão rápido e requer tão pouca prática que até eu conseguiria fazer sem a supervisão de um adulto, juro. isso aí fica ridículo de bom recheado com queijo e fazendo um “sanduíche” com rúcula, como ele ensina no vídeo, mas também dá pra usar como massa de pizza ou fazer a focaccia recheada com o que você bem entender, porque a massa sempre fica crocante, saborosa e linda. a massa rende bastante e sempre rola fazer uma sobremesinha com recheio de ❤ goiabada ❤ e queijo ❤ – mas também dá pra guardar o restinho da massa na geladeira e usar outro dia. ah, a massa só leva farinha, azeite e água (é ótima praqueles dias que você não tem porra nenhuma na despensa), então é só fazer o recheio sem queijo que vira uma pizza/focaccia linda, deliciosa e vegana : )

ps: todas as fotos do post são dos posts originais, devidamente linkados!

ps2: se alguém quiser alguma das receitas e tiver alguma dúvida ou não ler em inglês, avisa nos comentários que eu traduzo/ajudo 😉

vai ter sim, se reclamar vai ter dois

tem gente aqui que me conhece do deborices, gente que me conhece daqui mesmo, gente que lembra da época do fashion descontrol, gente que veio parar aqui depois de ler o novo deborices e sabe o que isso quer dizer? que eu já tive blog pra cacete.

não é que eu seja vira casaca nessa questão, veja, o meu problema é sempre o mesmo: eu realmente me importo demais mesmo com o que as outras pessoas vão dizer, o tempo todo. sofro as dores do mundo nisso e tento todos os dias acordar e prometer pra mim mesma que não vai ser assim, mas nunca é.

nesse pacote de sofrimento desnecessário entram pequenas coisas que eu posto no blog, como looks do dia e artigos de moda (que eu adoro). a moda, veja você, pra mim é uma arte desprezada exatamente por ser feminina. a Ju me mandou um texto sobre isso inclusive e eu concordei de cabo a rabo. o caso é que no mundo da pintura ou da gastronomia nós temos homens notáveis então essas são consideradas artes legítimas. mas a moda sempre foi muito mais sobre mulheres, logo sendo associada a futilidade. quando você analisa de perto não tem muita diferença em usar cores e formas pra se expressar em uma tela ou nas suas roupas, né?

mas mesmo que a gente racionalize algo é difícil convencer o coração a parar de se sentir mal e eu, sim, me sentia fútil postando look do dia, me sentia malzona mesmo. ainda me sinto às vezes. mais ainda porque pessoas cuja inteligência eu realmente admiro vivem falando coisas contra tirar fotos de você mesma e quando eu ouço essas pessoas me sinto mais burra segundo a avaliação delas. então, por não saber lidar com isso, deletava os blogs que tinha, recomeçava e, quando via, tava fazendo look do dia de novo e me sentindo burra de novo… vocês entenderam, né? um ciclo.

acontece que chega uma hora que ser feminista significa saber libertar você de você mesma. por exemplo, eu gosto de moda e ninguém tem nada a ver com isso. eu posso me permitir isso sem me entregar a dicôtomia do burra mas bonita x feiosa mas inteligente. eu posso me permitir criar o belo enquanto leio meu Guimarães Rosa sem ninguém ter nada com isso.

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mas daí quando você resolve parar de se importar acontece uma coisa engraçadissima: você passa a ser o incômodo. você incomoda com o fato de que quando você tira uma foto de você mesma você se sente bonita, você incomoda porque mulher empoderada incomoda. mulher segura de sí incomoda.

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e não precisa ir muito longe pra ter exemplo disso.

veja, é um caminho longo, algo do qual eu não me livrei totalmente ainda e nem sei se vou me livrar, mas é um exercício ótimo. afinal, um homem pode passar sua vida sem se questionar se ele é bonito e adequado a sociedade, mas a mulher… pra gente é mais difícil porque nós somos cobradas a sermos bonitas mas ensinadas que achar que você atingiu essa beleza é uma coisa muito feia. e a gente é ensinada assim tão profundamente que a gente também tem que se sentir péssima, mal, acabada quando alguém elogia a gente pela escolha de roupa, pela cor do cabelo ou qualquer coisa assim. a gente não pode se gostar porque se gostar significa que sua opinião é que você tá ótima e que quando alguém tentar te controlar pelo seu peso ou escolha fashionista você pode falar ‘foda-se’ e não deixar-se dominar.

daí vem uma outra corrente que diz que o look do dia é buscar aprovação e, sabe, algumas meninas realmente fazem por esse motivo. mas o que há de errado, por que devemos nos sentir mais burras ou piores por querermos uma aprovação de vez em quando? não é o que todo ser humano quer? um elogio? um abraço? fomos condicionadas a buscar por isso e agora vamos tacar pedras nas irmãs que fazem abertamente?

e tem outra: nem todo mundo faz pela aprovação. eu já fiz pela aprovação, sinto bem a diferença. quem faz pela aprovação não usa o que gosta. eu faço porque, oras, porque eu acho que eu me visto bem pra cacete e eu quero mostrar. quem escreve pode querer ser lido. quem canta pode querer ser ouvido. e quem tem como passatempo se vestir pode querer fotografar isso. isso não é tao difícil de compreender, né?

então, eu digo assim: vai ter look do dia no meu novo blog, vai sim. se reclamarem vai ter todo dia só pra provocar. só pra eu sambar na cara de quem acha que pode controlar meu corpo e como eu o adorno e o fotografo e quanto prazer eu tenho em ver a minha figura. só pra mostrar que você não manda em mim, não. se quiser me chamar de burra e superficial por isso, eu te digo: superficial é você que viu uma foto minha e já acha que sabe tudo sobre mim. posso ser mais burra em algumas coisas e mais inteligente em outras mas sobretudo sei que não é uma foto minha me amando que vai definir esses meus traços, mas todo um conjunto de outras coisas que não te dizem respeito. aliás eu nem tenho obrigação de ser isso ou aquilo só pra te agradar.

e minha opinião sobre look do dia é a mesma que eu tenho sobre cabelo colorido, sobre sexo, sobre casamento gay, sobre drogas, sobre dar pra cidade inteira, sobre usar uma mini saia do tamanho de um cinto e um top bem anos 90, sobre fazer scarnification e botar um chifre no meio da sua cara, sobre largar seu emprego em uma grande corporação e ir viver nas cavernas ou viajar o mundo, sobre não ter filhos, sobre ter dez filhos, sobre tudo que você faz consigo mesmo nessa vida: você não gosta, amigo? não faz. mas não vem mandar no meu corpo nem do mais ninguém. supere suas neuras e me deixe viver.

vai ter look do dia sim. se chorar vai ter dois, três, quatro, cinco mil. eu vou me empoderar sambando na avenida se for isso que eu quiser. beijo pro recalque.

stop

(e eu já postei o primeiro no meu blog novo.)

florzinhas <3

talvez vocês não saibam, mas um dia eu serei ridiculamente rica. por isso, enquanto só estou na modesta classe média brasileira, aproveito pra passar os olhos pelas coleções que um dia poderei comprar. ando um pouco chateada que tão fazendo umas coleções que nem se eu fosse riquíssima aceitaria pagar um centavo (tecido duro? chinelo de dedo com plataforma? vestido sem cintura? vestido de festa ~esporte?), mas as coleções de primavera sempre provam que a vida pode ser bonita e floridinha : )

oscar de la renta primavera 2015

oscar de la renta primavera 2015

OLÁ PEITOS

OLÁ PEITOS

naeem khan primavera 2015

naeem khan primavera 2015os dois primeiros são Oscar de la Renta e os últimos três são Naeem Khan. aceito qualquer um de presente.

vale quanto pesa

Eu sinto como se falar sobre feminismo fosse mais do metier da Debs ou da Julia por aqui, mas eu leio coisas e vejo coisas por aí que, mesmo não articulando tanto quanto elas, eu gostaria de dividir com vocês. Alguns raciocínios parecem simples, mas ainda estão tão distantes do nosso cotidiano e do nosso objetivo (ou ao menos do meu, de ser uma pessoa melhor) que eu acho que valem a reflexão.

Dentre os poucos sites que eu acompanho sobre feminismo atualmente está o Lugar de Mulher, que essa semana publicou um texto incrível da Lélia Almeida chamado Mulheres Famintas, no qual ela fala sobre a ditadura da magreza excessiva, das dietas e de como esse comportamento está se refletindo nas gerações futuras. Particularmente, eu destaco um único e incrível parágrafo:

(…) Marcela Lagarde em muitos dos seus textos diz que as mulheres de hoje se comportam como criaturas medievais desejosas unicamente de um amor romântico impossível de ser realizado e sem nenhuma reflexão crítica sobre seu amor próprio. E que isto as debilita e enfraquece, já que ninguém com estes sentimentos desenvolve suas potencialidades.(…)”

Isso me assusta porque eu vejo acontecendo à minha volta o tempo todo, na minha família, acontecendo na minha casa sem que ninguém pare pra pensar ou analisar um só instante. Gente, até Queen B tá falando disso, será que não está na hora de rever MESMO o que fazemos com nossos corpos, como nos sentimos com ele e que exemplo damos?

"Pretty hurts, we shine the light on whatever's worst"

“Pretty hurts, we shine the light on whatever’s worst”

O discurso da Lélia também me remeteu imediatamente à esse vídeo, o poema Shrinking Women (Mulheres que encolhem), da Lily Myers que vive me deixando com lágrimas nos olhos e que vale três minutos da sua atenção. Mesmo porque eu posso apostar que você já viu isso acontecer ao seu redor:

Dá pra ver com legenda em inglês e tem tradução dele aqui, mais uma vez evidenciando o desejo de magreza estar intrinsecamente ligado à deficiência de autoestima. E, pra mim, a pergunta que sempre fica é: por que queremos/devemos nos encolher?

o post pra você que sempre quis um abacaxi pink

ultimamente eu vi umas referências de decoração com abacaxi em estamparia, em moda, em objetinhos decorativos com ou sem utilidade… comecei a querer pra minha casa também. cheguei até a me animar com uma coleção da Zara Home inspirada na frutas – tinha porta-retratos, estatueta, louça, almofada, tudo que vocês imaginarem com os tais. mas no fim não comprei nada por dois motivos: primeiro porque a coleção era toda branca e eu queria um abacaxi pink. segundo porque o preço da estatueta de resina que eu achei simpática era R$ 129,90. é, caso vocês não saibam, minha vida de comprar objetos decorativos segue o diagrama abaixo:

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não dá pra ter tudo, Marina. tem que escolher lado.

eventualmente a Zara Home entrou em liquidação e o abacaxi baixou pra R$ 39,90. até que era pagável pra um objeto decorativo, mas como ainda não era o que eu queria, fiquei cabreira. aí que vi essa foto abaixo no The Roxy Blog e liguei lé com cré:

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falei pro Malk e ele provou que eu casei com a pessoa certa ao não estranhar muito quando uma louca ligou pra ele explicando a necessidade de um abacaxi pink na decoração da casa. no mesmo dia fomos na Zara Home e compramos o abacaxi de resina. compramos também um cofre de gesso em forma de baiacu.

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eu não sei explicar o porquê a gente comprou um baiacu, mas ele é adorável.

passamos em seguida na loja de materiais de construção para escolher os sprays. pro abacaxi eu quis pink neon e pro baiacu um roxo com acabamento bem brilhante. no primeiro dia de sol seguinte, coloquei plástico pra proteger o chão do quintal e comecei a minha arte:

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abacaxizinho bonitinho e lindinho depois de três camadas.

enfim, pintar coisas com spray não tem muito segredo, não: tem que manter a lata sempre em pé e a uma distância de 20 cm do objeto a ser pintado, não aplicar muita tinta de uma vez e é basicamente isso. como esses objetos tavam limpinhos e nem precisaram de lixar nem nada, foi tudo muito rapidinho. a secagem demorou mais ou menos um dia. de bônus o aspecto do abacaxi ficou parecendo emborrachado, uma gracinha.

enfim, como eu sou piegas, esse post tem moral da história tá? então vamos lá:

moral da história – ter coisas bonitas e diferentes em casa não é só pra quem quer pagar R$ 129,90 em um abacaxi da Zara Home ou pra quem compra coisas nas lojas de decoração de design assinado chiquérrimas ou pra quem tá disposto a gastar milhares de doletas em alguma porcaria.

você pode garimpar liquidações, você pode achar em um brechó, você pode criar, imaginar, adaptar, tacar spray, adesivar, envernizar e ter uma casa diferente do jeito que você gosta.  melhor ainda: tudo que você fizer é único. e, como eu acho que sua casa tem que te alegrar, te fazer sorrir e ter sua cara, é bem mais importante do que qualquer grife, pra mim esse é o caminho de uma vida feliz.

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e eu duvido que você conheça qualquer outro ser humano no mundo com um abacaxi pink e um baiacu roxo no rack da sala, sabe?

Chifrudaney

Britney Spears foi traída, um dos maiores escândalos da semana. o bafafá foi gravado e, para proteger sua filhota, Spears pai bateu o pau na mesa e comprou os direitos autorais da filmagem. agora quem reproduzir vai ganhar um amigo processinho.

 

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mas é claro que a história vazou e, desde então, só nisso se fala. and here comes a twist: enquanto todo mundo esperava que Britoca ficasse em casa comendo um pote de sorvete e cantando “all by myself don’t wanna be” ela prova que, bem, não é bem por aí:

e depois nos ensinou exatamente como superar dias ruins em um maravilhoso vídeo que você assiste clicando aqui.

como esse é o caso da semana (fora o das fotos da J. Law pelada sobre o qual a Noelle já disse tudo que é necessário, claro), eu resolvi dar meus dois centavos. e eles são: obrigada, britney, por não se fazer de vítima. porque sabe, eu já fui chifruda, quase todas minhas amigas já foram chifrudas, chifre acontece, somos todas chifrudasney como você – mas não precisamos nos definir por isso.

eu sempre achei curioso como ser traído é considerado uma vergonha porque, bem, você é a vítima. quem deveria ficar com vergonha não é o traídor? ter vergonha de ser desleal? de não poder ser confiável?

e a coisa fica mais esquisita quando é uma mulher super power celebrity tomando um par de chifres: a reação do público é “nossa, como pode, uma mulher maravilhosa dessas tomando chifre… que será que aconteceu? coitadinha”. isso não só parte do pressuposto que a vergonha é do traído mas também de que chifre é algo que você toma quando merece porque, veja, se fosse gorda, sem graça e escrota a gente entendia, mas uma Britney tomar chifre choca.

a gente naturaliza as traições como uma válvula de escape masculina para buscar algo que falta, algo que supostamente não poderia faltar no relacionamento com uma mulher perfeita. e sabe o que falta num homem que põe chifre?

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pra mim isso é válido em todo tipo de deslealdade, seja romântica, com amigo, com a família, com o emprego – principalmente a parte da coragem. quando você precisa mentir e trair pra fazer algo que quer, quando precisa ser escondido é porque por algum motivo você não tem coragem de assumir seus reais desejos. a questão não é beijar ou fazer sexo com outra pessoa, mas é sair do combinado, não sabe manter a palavra, ou seja, prometer algo que você não está disposto a doar.

falo isso com o maior dos conhecimentos de causa porque chifre já levei e já presenteei. em ambas as vezes reconheço um belíssimo caso de falta de coragem por parte do chifrador. percebam, eu era adolescente, inconsequente e meio escrota quando fiz. criei mil razões em minha cabeça pra fazê-lo “estou apaixonada verdadeiramente”, “estou amando”, “o cara que eu trai é um escroto e já me sacaneou” e, sabe, deborinha adolescente, essas não colam. se o cara é um escroto, termina. tá amando? vai ser feliz sem enganar ninguém. não traia. não seja desleal. tenha coragem de assumir quando você quer uma coisa e quando não quer, abrace as consequências e não magoe ninguém no processo. simples assim.

não entender que o traídor é sempre apenas um covarde é também uma roubada que faz a gente se culpar quando é traída. e, believe me, todas podemos ser traídas. na minha vez eu inventei mil defeitos em mim pra justificar: “estou gorda”, “estou desinteressante”, “sou burra”, “sou sem graça”.

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– fizeram algo errado comigo, logo a culpa deve ser do brigadeiro a mais que eu comi, ctza.

enfim, o mais triste é o quanto essa questão da traição é reduzida a mais uma ferramenta de controle da sexualidade da mulher. quando uma mulher é traída a gente espera que ela chore por não se sentir suficiente – afinal tem de ser perfeita para ser merecedora de um homem. mas quando um homem é traído, a gente espera que ele seja violento pra defender sua honra, afinal ele tem posse sobre a mulher e isso foi maculado.

ao mesmo tempo que está rolando essa história da Brit, também rola por aí no universo negro do whatsapp (pior que deep web) um revenge porn pesadíssimo do cara que pegou a mulher com outro na cama e encheu a lata dela. e, sabe, tá tudo errado. tudinho. porque mulher nenhuma por motivo algum no mundo merece apanhar.

bater em uma mulher é só renovar o voto de posse que os homens pensam ter sobre ela. traiu? tá errada, tá escrota. merece uma conversa séria, talvez um término de relacionamento, tem que sentar no cantinho ali pra pensar com calma sobre a cagada que fez. mas quando você reage com violência à traição demonstra um sentimento de posse sobre o outro. e pode estar casado faz trinta anos, amigo, ninguém é dono de ninguém. o relacionamento, o amor ainda podem acabar. e pode ser que vocês não saibam lidar com isso.

a traição é uma escolha pessoal do traidor. por isso eu penso que ela não merece nenhuma atitude do traído fora a auto preservação e talvez uma dose de humor pra lidar com isso. você não precisa lavar sua honra. você não manchou sua honra. a gente mancha a honra quando a gente faz escrotice com os outros, mas se você foi traído a história só tem um babaca e esse babaca não é você.

por isso que, pra mim, Britoca está tirando de letríssima esse lance de tomar chifre. sem processos, escândalos, violência, dando risada da babaquice que o David Lucado fez, usando o caso como recheio de uma piada em que o palhaço é o covarde que não sabe ter lealdade.

aprendamos que, em vez de ficar sentindo pena de sí mesma quando tomar chifre, a gente tem é que sentir pena da pessoa que poderia ter um relacionamento ou um término de relacionamento bacana, poderia ter tido uma atitude mais sincera contigo mas não teve coragem e optou pelo caminho da mentira. sinta pena de quem não sabe resolver os próprios problemas. e enxergue que você não tem defeito nenhum que mereça deslealdade de nenhum tipo.

ah, e eu não acho que todo traído deve terminar o relacionamento. existem mil histórias, erros acontecem, cada um vive uma realidade. por mais triste e difícil que seja, o que acontece após uma traição só diz respeito aos acordos feitos entre o traído e o traidor. conheço casais felizes que superaram traições, conheço casais infelizes que nunca traíram. não dá pra gente vender uma fórmula de casamento perfeito. mas, caso você resolva dar um pé na bunda do covarde, aprenda a comemorar com a Britney que tudo tem um lado bom.