sobre empatia com o que não é pra você

hoje eu tava lá rolando o facebook casualmente quando vejo que um amigo curtiu uma publicação de uma mulher falando que acha uma frescura o desafio do #stopthebeautymadness: segundo ela, é por isso que tratam o feminismo como desnecessário e chato. eu acho muito louco como hoje em dia você precisa ver algo na internet e imediatamente formar e emitir uma opinião sobre o assunto. normalmente, se você gosta ou acha ok, o silêncio é o caminho. se você achou uma besteira, o jeito é fazer um post descendo o cacete no desafio/causa/opinião do amiguinho.

"discordo da sua opinião e você está errado e merece morrer" (INTERNET, todo mundo na)

“discordo da sua opinião e você está errado e merece morrer” (INTERNET, todo mundo na)

pois vejam só, eu não participei do desafio – apesar da Debs ter me indicado – porque, bem, em 90% do tempo eu não uso maquiagem. eu não me sinto mal sem maquiagem e achei que eu não teria muito a dizer sobre o assunto que ela tratou com tanta delicadeza e lucidez. mas aí eu li isso e comecei a pensar que talvez a mulher que escreveu isso também se sente bem na própria pele sem maquiagem ou até mesmo detesta usar maquiagem.

só que esse desafio foi feito para trazer conscientização em um mundo em que as meninas sofrem pressão para “serem bonitas” (ou seja, usarem maquiagem diariamente e fazer chapinha) quando ainda nem entraram no colegial. esse desafio foi feito pras meninas de dez a vinte anos que curtem dezenas de blogueiras de moda no instagram que só postam foto de look do dia com a pele impecável em um ângulo milimetricamente calculado. esse desafio foi feito para as jovens mulheres que acompanham blogs e páginas de rainhas do fitness que aparentam ser perfeitas. esse desafio foi feito pra mostrar que não tem nada de errado em gostar de maquiagem, desde que esse não seja o único jeito que você aprendeu a se gostar.

talvez a pessoa que descreveu o desafio como desnecessário e fútil nunca teve um colega de trabalho perguntando se ela tava doente só porque tava sem maquiagem. talvez essa mulher nunca foi uma adolescente que desenvolveu distúrbios alimentares porque via imagens de mulheres inatingíveis na mídia e ela não conseguia se encaixar. talvez essa mulher não entenda que o desafio não é simplesmente postar uma foto sem maquiagem, e sim conseguir ver a própria beleza além das máscaras. a pressão para as mulheres se encaixarem em um modelo de beleza existe e está muito vivo e forte na internet, thankyouverymuch. por isso é importante que formadoras de opinião, amigas e modelos de comportamento mostrem que têm marcas de espinha, olheira, aquela espinha que apareceu na ponta do nariz sem ser convidada, aquela falha na sobrancelha ou alergia no rosto.

porque sabe, eu nunca apanhei com lâmpada fluorescente na Augusta mas eu sei que não posso negar que homofobia existe e mata. eu nunca passei fome pra emagrecer e me encaixar num padrão, mas sei que não posso sair dizendo que quem sofre de anorexia é fútil. eu nunca fui estuprada, mas isso não me dá o direito de achar que outras mulheres também nunca foram ou que não merecem respeito por isso. empatia com o que não tem nada a ver com você mas é importante para outras pessoas não custa nada, não dói e só faz bem.

um desafio simples para trazer consciência à beleza feminina é uma ferramenta para o empoderamento e ao aumento da auto estima de milhares de mulheres que acordam todos os dias e se olham no espelho e se acham gordas, com a pele ruim e o cabelo imperfeito porque foi isso que elas aprenderam a vida toda. e se você não consegue enxergar como isso é importante e tem a ver com feminismo, tá faltando empatia, compreensão do que é futilidade e um pouco de reflexão sobre o mundo em que as mulheres vivem – e não só o que você percebe à sua volta.

Adesivos, uma viagem sem volta

Esses dias a Jan, amiga maravilhosa dessa minha vida, me convidou pra ir em um bazar de adesivos com ela. Eu não entendi muito bem o que era, mas a Jan nunca me coloca em roubada. Lá fui eu, rumo ao tal bazar da Signo. E, bem, sabe aquelas coisas que não adianta explicar, apenas sentir? Peguem na minha mão de ~blogayra de ~designerz e vejam fotos:

adesivos_signo5

adesivos_signoadesivos_signo4adesivos_signo2

adesivos_signo3

adesivos_signo1Viram que o esquema é pesado, né? Drogas complicadíssimas de desviciar.

Enfim, explicando agora que vocês viram, eu vi por lá essencialmente quatro tipos de adesivos para vender: os tipo pôster (como esse último da Frida que eu choro noite e dia por não ter comprado), os com padrões para aplicar em móveis ou paredes (como os rolos da primeira foto), os estilo decalques adesivos e os perfurados (sabe aquele adesivo que vai em propaganda de ônibus, que é todo furadinho pra luz entrar? Aquilo). Os padrões dos rolos e imagens dos pôsteres são super “coisas que vemos no Pinterest e nunca achamos por aqui” e a qualidade da impressão é de fazer o queixo despencar ladeira abaixo. Também tem objetos de decoração bacanudos, como o alce de parede e almofadas (eles imprimem tecido também).

Pelo que a dona me explicou (desculpa, juro que não consigo lembrar seu nome, mas lembro que seu cabelo é uau!), o que acontece por lá é que ela tem uma gráfica que faz adesivos por encomenda e vende também adesivos prontos. Ela aproveita, muitas vezes, espaços no rolo de impressão de alguma encomenda para criar coisas bacanas – por isso sempre tem novidade legal. E nesses bazares que ela faz, pelo que entendi, mais ou menos de três em três meses, os preços caem até 80%. 

O legal é que quando você está lá percebe que não é só uma gráfica fazedora de linguiças, sabe? Tem pesquisa e criação, tem sim. Inclusive toda a decór do galpão é com adesivos e tem idéias very very enlouquecedorinhas:

adesivos_signo6

Como esse tapete aplicado com acabamento fosco.

adesivos_signo7

ou esses adesivos colados sobre o acrílico e fazendo quadrinhos adoráveis

adesivos_signo8

ou esse espelho que, serio, olha esse espelho, ele é um adesivo na moldura, fim, acabou, não há nada mais a ser mostrado.

Eu fui em dia de bazar, tava mega liquidando, gastei oitenta reais e trouxe: uns três rolos de textura, 4 decalques e uma pá de pôster em diversos tamanhos. Ainda não consegui usar metade, pra vocês terem uma ideia. Um dia depois, sai colando tudo possuidíssima pelo ritmo ragatanga:

adesivos_signo9

decalques de flor lindinhos nas gavetas

adesivos_signo10rolo de textura meio sessentinha pra disfarçar essa baguça horrenda no rack

adesivos_signo11

adesivos de star wars e do sgt. peppers em cima do som ❤ o quadrinho de moldura preta também é um adesivo aplicado a um desses quadrinhos de cozinha de loja xing ling, sabem?

adesivos_signo14

Na porta do lavabo ❤

adesivos_signo13MINHA MUTHERFUCKER FUCKING AWESOME GELADEIRA DE GATOS <3.

Se você também quer ser possuída pelo ritmo ragatanga e colar adesivos igual eu, a Signo fica na Rua Pedro Nolasko Pizzato, 530, no Mercês. Não sei como eles funcionam fora do bazar, mas acho que vale a visita porque dá pra pirar em ideias realmente muito legais.

Adesivos, uma viagem sem volta

Esses dias a Jan, amiga maravilhosa dessa minha vida, me convidou pra ir em um bazar de adesivos com ela. Eu não entendi muito bem o que era, mas a Jan nunca me coloca em roubada. Lá fui eu. rumo ao tal bazar da Signo. E, bem, sabe aquelas coisas que não adianta explicar, apenas sentir? Peguem na minha mão de ~blogayra de ~designerz e vejam fotos:

adesivos_signo5

adesivos_signoadesivos_signo4adesivos_signo2adesivos_signo3

adesivos_signo1Viram que o esquema é pesado, né? Drogas complicadíssimas de desviciar.

Enfim, explicando agora que vocês viram, eu vi por lá essencialmente quatro tipos de adesivos para vender: os tipo pôster (como esse último da Frida que eu choro noite e dia por não ter comprado), os com padrões para aplicar em móveis ou paredes (como os rolos da primeira foto), os estilo decalques adesivos e os perfurados (sabe aquele adesivo que vai em propaganda de ônibus, que é todo furadinho pra luz entrar? Aquilo). Os padrões dos rolos e imagens dos pôsteres são super “coisas que vemos no Pinterest e nunca achamos por aqui” e a qualidade da impressão é de fazer o queixo despencar ladeira abaixo. Também tem objetos de decoração bacanudos, como o alce de parede e almofadas (eles imprimem tecido também).

Pelo que a dona me explicou (desculpa, juro que não consigo lembrar seu nome, mas lembro que seu cabelo é uau!), o que acontece por lá é que ela tem uma gráfica que faz adesivos por encomenda e vende também adesivos prontos. Ela aproveita, muitas vezes, espaços no rolo de impressão de alguma encomenda para criar coisas bacanas – por isso sempre tem novidade legal. E nesses bazares que ela faz, pelo que entendi, mais ou menos de três em três meses, os preços caem até 80%. 

O legal é que quando você está lá percebe que não é só uma gráfica fazedora de linguiças, sabe? Tem pesquisa e criação, tem sim. Inclusive toda a decór do galpão é com adesivos e tem idéias very very enlouquecedorinhas:

adesivos_signo6

Como esse tapete aplicado com acabamento fosco.

adesivos_signo7

ou esses adesivos colados sobre o acrílico e fazendo quadrinhos adoráveis

adesivos_signo8

ou esse espelho que, serio, olha esse espelho, ele é um adesivo na moldura, fim, acabou, não há nada mais a ser mostrado.

Eu fui em dia de bazar, tava mega liquidando, gastei oitenta reais e trouxe: uns três rolos de textura, 4 decalques e uma pá de pôster em diversos tamanhos. Ainda não consegui usar metade, pra vocês terem uma ideia. Um dia depois, sai colando tudo possuidíssima pelo ritmo ragatanga:

adesivos_signo9

decalques de flor lindinhos nas gavetas

adesivos_signo10

rolo de textura meio sessentinha pra disfarçar essa baguça horrenda no rack

adesivos_signo11

adesivos de star wars e do sgt. peppers em cima do som ❤ o quadrinho de moldura preta também é um adesivo aplicado a um desses quadrinhos de cozinha de loja xing ling, sabem?

adesivos_signo14

Na porta do lavabo ❤

adesivos_signo13MINHA MUTHERFUCKER FUCKING AWESOME GELADEIRA DE GATOS <3.

Se você também quer ser possuída pelo ritmo ragatanga e colar adesivos igual eu, a Signo fica na Rua Pedro Nolasko Pizzato, 530, no Mercês. Não sei como eles funcionam fora do bazar, mas acho que vale a visita porque dá pra pirar em ideias realmente muito legais.

Come shimeji na manteiga sim

Esses dias fui em um restaurante e pedi pela primeira vez na minha vida um Shimeji na manteiga. Assim como quando o Bandeira viu a moça nuinha, “foi meu primeiro alumbramento”.

Aí, o marido comprou shimeji pra fazer um risoto afrescalhado (olha minha cara de quem sabe fazer risoto afrescalhado) e, bem, tinha shimeji, manteiga e internet sobrando. Achei que era dessas receitas complexas nipônicas que eu nunca saberia fazer, mas não é. É mais fácil que miojo.  Improvisei baseado no que eu li:

shimeji_na_manteigae

Ingredientes
– Punhadinho de shimeji
– Duas colheradas de manteiga com sal
– Uma colherada de açúcar
– Duas colheradas de shoyu
– Punhado de cebolinha

Modo de preparo:
Derreta a manteiga em fogo alto. Derreteu? Taca o shimeji e vai mexendo ele por uns dois minutos, pra fritar por inteiro. Mexe com aqueles pão-duros de silicone – eles não soltam lasca, não impregnam, não deformam a comida e não derretem. Eles são seus amigos. Depois, põe o açúcar e as duas colheradas de shoyu e deixa mais uns dois minutos, pra reduzir. Vai virar um caramelinho delícia. Tira do fogo, joga a cebolinha picada em cima e tá pronto.

É fácil. É rápido. É chuchu beleza. É tão bom que faz nem meia hora que eu comi isso e já quero mais. Na próxima, vou colocar lascas de cebola e ver o que rola.

Stop the beauty madness

A Britney de Santo André, Miss Borboletando, me convidou pro#desafiocaralimpa e aqui estou. É difícil me ver sem maquiagem e é bizarro porque… Eu nasci sem isso?

Quando comecei a fazer terapia e enfrentar minha depressão uma ferramenta que me ajudou foi ler blogs de beleza. Me fez descobrir que me enfeitar não me deixa mais burra e me abrir contra a dicotomia da futil gostosa x a feinha inteligente. Descobri que passar um batom não derrete meu cérebro e que fazer look do dia não me faz estúpida. Descobri que qualidades podem coexistir desde que a gente não aceite os rótulos. Foi uma das minhas primeiras libertações. Mas também foi uma prisão que me fez pensar que eu deveria seguir alguns padrões que, bem, não são obrigatórios. Confuso, né? Confesso que o conforto de me encaixar em uma turma pela primeira vez na vida foi a cilada.

Mas hoje sei e tenho orgulho de ser linda como todas somos e tomar consciência disso a cada dia. Acho que ser mulher na nossa época é conquistar o direito de testar e se descobrir – já faz um ano, por exemplo, que venho me desintoxicando passo a passo, do consumismo como forma de me fazer ser aceita. Não preciso ter o batom e a bolsa certa pra ser amada por ninguém. Essa semana, por exemplo, parei de seguir tudo que me incentivava a consumir mais do que a pensar. Isso não significa não comprar roupas e maquiagens e ler blogs de estilo, apenas selecionar os que são escritos para quem gosta e não para quem usa isso como guia de fuga da realidade. Faço marketing de conteúdo e gosto de ter esse cuidado com meus clientes também, acho que é meu papel como cidadã trabalhar com ética e sem vender a alma para a armadilha de destruir a auto estima da mulher para fazê-la comprar. Acredito muito mais em empoderamento. Acho também que o mundo esta mudando nesse sentido, ainda bem.

Tirar a maquiagem não deveria ser um desafio nem um alivio, deveria ser algo normal. Nascemos sem mascaras. Não precisamos delas para nada. Se sua forma de me incentivar a cumprir esse desafio é dizer que eu nem preciso de maquiagem (um comentário comum) saiba que eu agradeço mas a verdade é que isso não é elogio: ninguém precisa de maquiagem. Não existe uma beleza base que não precisa se mascarar, esse padrão excludente provoca com que quem não se encaixa use a maquiagem como disfarce para ser igual. Igual é entediante. Todas somos lindas do jeito que somos, da forma que temos, a beleza maior é a diversidade. Usamos porque gostamos.

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A maquiagem, como todas as suas atitudes, deve ser algo pra você e não pra se adaptar ou encaixar na idealização do outro. Foi uma longa caminhada racionalizar isso e os sentimentos ainda me traem quando tento praticar. Mas um passo de cada vez é o que nos torna mulheres cada dia mais livres.

Desafio minhas companheiras da Casa, mulheres que me ensinaram a amar ser quem eu sou e me aceitaram independente de expectativas, a participar: Wiczneski, Sheilla, Julia e Pri estão convidadas, caso queiram.

Quem quiser mais informações sobre o projeto pode visitar o site e participar também. Stay beautiful & strong!

parede feliz – parte II

lembram que esses tempos eu fiz aquela estupidez sem tamanho que resultou na minha parede preferida da casa? pois é claro que quando chegou a hora de pintar a sala de jantar, eu não aprendi. claro.

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euzinha.

quando começou a conversa sobre a pintura da casa com o jorge, foi mais ou menos assim:

– amor, você concorda com as cores que a gente conversou? azul cobalto pra sala de tv, azul clarinho pro quarto, turquesa escuro pro escritório e turquesa mais claro pra uma parede da sala de jantar com as outras brancas?

– mas pensando agora… a casa inteira vai ser azul?

– são tons diferentes e turquesa e etc etc (insira aqui alguma argumentação estúpida)

– mas tudo azul, então?

– heheheehehehe. é, talvez. você quer mudar alguma?

– sim, queria que a sala de jantar tivesse uma parede amarela, que você acha?

inicialmente eu admito que achei uma ideia ruim. até uns anos atrás eu nem curtia amarelo, quem dirá pra botar em uma parede em um dos cômodos mais importantes da casa (a gente COME lá, cara, é religioso), mas viver num aquário não tava parecendo tão interessante. aí lá fui eu pro pinterest buscar referências – porque é claro que uma parede amarela lisa que facilitasse minha vida não teria graça – e dei de cara com essa belezinha:

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OLÁ, MARILENE

esse padrão maravilhoso (que aprendi nesse post da Debs que se chama caning) me pareceu bem mais simples que o da sala de TV e ainda assim daria um efeito bem mais legal que uma parede lisa. quando chegou o dia da tortura estampa, eu já tinha pintado todas as paredes da sala de branco – inclusive duas paredes que tinham grafiato verde musgo e vermelho queimado (em itálico pra ressaltar o tanto de coisa errada) e a gente cobriu com massa corrida antes de se mudar, porque eu não mereço viver num lugar com grafiato em 2014.

mas bem, fiz os cálculos do espaço da parede, que fica entre duas portas, proporcionei com a estampa e comecei a marcar. usei a fita azulzinha da 3M, que é específica pra proteger de pintura. as linhas horizontas e verticais eu fiz com uma parte só de fita, sem interrupções, usando nosso melhor amigo, o nível, que te diz se o negócio tá toto ou não.

virei broder do nível depois desse dia.

virei broder do nível depois desse dia.

depois, aos poucos fui colando a fita pra finalizar a estampa. eu juro que não sei dar detalhes específicos do trabalho porque, bem, eu tava cansada pra caralho e fui descobrindo aos poucos o melhor jeito de ir medindo e arrumando tudo. claro que nessa hora descobri que algumas fitas tavam uns dois milímetros – ou centímetros – mais pra lá do que pra cá, mas naquela altura do campeonato, não me importava.

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no outro dia, quando tava tudo marcadinho e bonito, passei um pouco de massa corrida nas laterais da fita pra tinta não vazar (porque sim, a fita pra evitar que a tinta vaze deixa a tinta vazar, vejam só) e fui pra pintura. depois de três demãos, tava tudo bem coberto e bonito. aí que veio a desgraça: como eu não protegi a parede depois da aplicação da massa corrida sobre o grafiato, a tinta branca que eu pintei com tanto cuidado e atenção simplesmente saiu completamente quando eu tirei a fita, deixando a parede com o grafiato verde musgo (urgh) com massa corrida aparente, junto com vários pedaços de tinta branca arrancada. ou seja, uma textura meio rústica com visu de mofo, devido ao grafiato verde musgo aparente (tasquipariu, eu já disse quanto eu odeio grafiato?). diquinha pra mim mesma quando for pintar o escritório (que também contava com um grafiato maravilhoso em marrom): passar selante na parede. anotado.

parece mofo mas é só tristeza

parece mofo mas é só tristeza

apesar do acabamento estar bem aquém de perfeito, fiquei muito faceira com o resultado, com a cor (que eu preparei) e com a composição da estampa e do amarelo com o nosso ❤ aparador vermelho <3:

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ursinha emprestando seu charme ao cantinho da foto

assim que eu tiver com saco suficiente, pretendo colar fita crepe branca nos espaços pra corrigir as imperfeições de textura e, quando eu tiver com MUITO saco, pretendo pintar de branco pra ficar com um acabamento melhor. por enquanto, me contento em ficar feliz com a parede amarela iluminando a alegrando a sala : )

 

quatro séries que acho que vão te fazer feliz

não, a casa não virou filial do buzzfeed e também não quero fazer lista tipo CINCO SÉRIES QUE VOCÊ PRECISA SAIR CORRENDO ASSISTIR SENÃO SUA VIDA NÃO SERÁ COMPLETA (até porque são quatro). mas sabe, eu curto ver série pra caralho e normalmente o que eu assisto é por indicação de amigos ou por tanto que eu vejo coisa sobre elas na internet – e às vezes ler um pouquinho sobre elas é tudo que eu preciso pra começar a ver algo novo. vai que é o seu caso? : )

  • Orphan Black

faz tempo demais que vejo a gifs e imagens dessa série no tumblr (quer me seguir lá?) e nunca me interessei muito, até que algumas amigas assistiram e acharam incrível. então basicamente em um domingo ocioso assisti a primeira temporada da série quase inteira em uma paulada só.

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se o netflix fosse sincerão comigo

a série conta a história da Sarah Manning, que vê uma menina igualzinha a ela se jogando em frente a um trem e resolve assumir a identidade da suicida. o que ela não sabe é que tem algumas outras moças iguaizinhas a ela, resultado de um esquema ilegal de clonagem humana. a série é tensa e divertida ao mesmo tempo, e vale a pena ver nem que seja pra ver a ❤ Tatiana Maslany ❤ atuando maravilhosamente como SETE personagens diferentes, uma mais incrível que a outra.

melhores migs

melhores migs

  •  Fringe

quando a série foi lançada, eu acompanhava Lost e achava que uma série do JJ Abrams já era demais pro meu coraçãozinho – mal sabia que Lost só me decepcionaria. uns dois anos atrás um amiga me passou vários dvds de séries e entre elas, Fringe. comecei a assistir aos pouquinhos ano passado e logo viciei e terminei todas as temporadas em uns dois meses.

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mistério, ação e muito LSD

Fringe mistura ficção científica, mistério, tecnologia e muita pira muito louca com algumas das histórias de amor mais bonitas que eu já vi na televisão. basicamente o centro da série toda (e até o fim da série, das mais bem resolvidas e lindas do mundo) é o amor dos pais pelos filhos. a evolução da relação do Peter Bishop (Joshua Jackson me fazendo esquecer do chatinho do Pacey) e do Walter Bishop é incrível e a série ainda consegue amarrar histórias e dar respostas a todos os mistérios levantados (exatamente o contrário do que aconteceu com Lost). ah, e ainda tem a linda, incrível, forte e maravilhosa Olivia Dunham.

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quando terminei de ver a série fiquei bem uns cinco minutinhos em posição fetal pensando no que seria da minha vida depois daquilo. se você gosta de ficção, monstros gosmentos, mistérios e uns minutinhos de choro, Fringe tá perfeita pra você.

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  •  Six Feet Under

ok, eu menti ali no título. SFU não vai te fazer feliz. ela vai te deixar miserável, chorando em posição fetal socando o sofá e se perguntando qual é o sentido da vida. mas você vai gostar disso, eu juro.

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SFU conta a história de uma das famílias mais disfuncionais da história, dona de uma casa funerária. logo no piloto o pai da família morre num acidente estúpido e dali pra frente os personagens (uma mãe reprimidíssima, uma filha adolescente rebelde, um filho certinho e com problemas pra assumir a sexualidade e o filho mais velho, que fugiu das responsabilidades e da família louca) têm que resolver o que vai fazer dali pra frente.

a série é bastante dramática mas tem muitos momentos bem engraçados e sensíveis. o desenvolvimento de todos os personagens durante as temporadas é incrível, e é impossível não se apegar a eles. a Claire é meio que spirit animal da nossa geração, cínica mas esperançosa e fofíssima ❤

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além de falar (muito) sobre morte, a série não é só sobre isso. os relacionamentos dos personagens, a importância da família (pro bem ou pro mal, haha), a busca por um propósito na vida, a busca da Ruth, a matriarca, por um sentido na vida depois dos 60 anos, a Claire virando adulta, o relacionamento do David e do Keith e todas as dificuldades vividas por um casal gay, a relação louca do Nate com a Brenda, tudo vale muito a pena. e no fim de cinco temporadas incríveis, você vai ver o que certamente é o melhor season finale que a televisão mundial já produziu. sem brincadeira. pra quem já assistiu, vem chorar litros comigo, vem:

  • Gilmore Girls

Rory Gilmore é uma adolescente de uma cidadezinha minúscula, filha de Lorelai Gilmore, que teve Rory quando ela tinha 16 anos. elas são melhores amigas, lindas, divertidas, falam rápido, jogam trinta referências pop por minuto, comem porcaria pra caralho, tomam café, sofrem com a família, sofrem com a falta de emprego/dinheiro, sofrem com os estudos, sofrem com os namorados, sofrem com a falta de café, assistem programas ruins na TV e gostam de música boa e de música ruim. elas são assim, gente como a gente (mas de olho azul e cabelo bom).

não é exatamente novidade indicar Gilmore Girls, mas considerando que a série começou quando eu tinha 12 anos, deve ter gente mais novinha que talvez nunca ouviu falar sobre ela – e sabe, assistir Gilmore Girls durante a adolescência é uma coisa que realmente vale a pena. o final da série foi meio fracassado – a emissora decidiu acabar a série meio às pressas e a season finale não resolveu muita coisa – mas tem tanta coisa boa nas sete temporadas da série que vale a pena indicar com muito amor no coração. se ainda preciso te convencer, vamos aos gifs com tudo que aprendi com duas das minhas mulheres preferidas da televisão:

elas sabem que evitar problemas faz bem pra pele

evitar problemas faz bem pra pele

acordar cedo não faz bem

acordar cedo não faz bem

comer é a coisa mais importante dessa vida

comer é a coisa mais importante dessa vida

você nunca vai conseguir fazer tudo que quer na vida domindo tanto assim

você nunca vai conseguir fazer tudo que quer na vida dormindo tanto assim

uma birita eventual faz bem

uma birita eventual faz bem

vale a pena interromper qualquer convversa se você encontrar um cachorro

vale a pena interromper qualquer convversa se você encontrar um cachorro

e aí? já viram alguma das séries? alguém tem dicas legais de coisas pra eu assistir? : )

Let it go, Let it go

Esses dias eu vi uma entrevista da Demi Lovato (prima amada <3) e fiquei matutando no meu cantinho. Perguntaram para ela o motivo dela ter parado de seguir a Selena Gomez no Twitter, revelando assim o fim definitivo da amizade entre as garotas, sendo que elas eram amigas de infância, inseparáveis até a adolescência.

E ela respondeu simplesmente que não aconteceu nada, que é o tipo de coisa que acontece.

E como acontece. Quem nunca perdeu um amigo que atire a primeira pedra. E não, não estou falando de pessoas queridas que por um motivo ou outro acabam falecendo, mas sim daquelas pessoas que tanto gostamos, amamos, trocamos conversas fiadas e que de repente, ao pensar, acabaram ficando no passado.

Muitas são as frases de auto-ajuda de Facebook nesse sentido. Ai, amizade verdadeira é isso. Ai, amizade verdadeira é aquilo. Balela. Amigo a gente sabe de longe quem é, não precisa de imagem com bichinhos fofos ou de gifs piscantes para reconhecer quem se importa com você e quem te dá um ombro amigo quando você precisa.

Inclusive, digo que é muito fácil arrumar gente para estar ao seu lado quando você tá na fossa. Problema mesmo é encontrar quem fica do teu lado quando você tá feliz, amando e com um baita sucesso no trabalho. Nessas horas que você vê quem realmente fica alegre por você.

Por várias vezes já me peguei pensando sobre pessoas que passaram por minha vida, cada um com seu jeitinho, suas características, que foram super importantes em algum momento, mas que já não estão ao meu lado. Algumas amizades foram desfeitas na briga, poucas, confesso, mas já aconteceu. Outras, simplesmente acabaram. Cada um seguiu seu rumo, algumas até houve alguma tentativa de reencontro, mas no geral, acabaram mesmo.

O fim de uma amizade dá um sentimento de luto pior que fim de namoro, pelo menos eu acho que dói mais. É sofrimento em etapas: você percebe que a coisa tá estranha, liga ou encontra a pessoa, pergunta se aconteceu alguma coisa, geralmente o outro nega, você finge que tá satisfeito, e voltam para a primeira etapa, porque né, ilusão achar que as coisas vão voltar a ser como sempre foram.

E olha, isso acontece com você tanto no polo ativo quanto no polo passivo.

Obviamente, como a Pri disse aqui esses dias, a gente muda, impossível não mudar. E nisso muitas pessoas não nos acompanham, assim como não acompanhamos outras pessoas.

A questão é ver que não tem nada de absurdo nisso. É meio que uma seleção natural. Você mantém ao teu redor quem te faz bem, assim como os outros também.

Ficam as lembranças, boas histórias. Vai-se a obrigação de querer agradar um bando de gente. E assim a vida segue.

cidadania (mesmo quando você ta com pressinha)

Hoje eu sai pra fazer uns exames e não encontrava lugar pra parar o carro de jeito algum. Não encontrava porque alguns motoristas com um problema de percepção de espaço realmente grave estavam ocupando o lugar de dois carros deixando meio espaço pra frente e meio espaço pra tras, coisa que certamente leva ao inferno:

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Sabe, isso em uma das ruas mais difíceis de achar vaga e sem estacionamento pago algum por perto, a Sete de Setembro, aqui em Curitiba. Olha, eu não compreendo, gente, deve ser algum problema cognitivo. O asno abaixo, por exemplo, procurou vaga ao meu lado por minutos e minutos. Quando achou, parou assim:

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E ainda saiu assobiando, juro. É muita falta de empatia com o coleguinha pra minha cabeça.

Se você tem familiares que sofrem dessa doença grave chamada egoísmo, dívida com eles esse alerta: o pinto de ninguém nunca caiu por ser um pouco melhor que isso. Obrigada.

 

 

Tá liberado mudar de ideia. Tá tudo bem mudar de ideia.

Até uns 10 ou 15 anos atrás eu não era feminista. Você pode achar que não é muito, mas há 10 anos eu já tinha 28, então, teoricamente já pensava com minha cabeça e com minhas próprias pernas. Eu saí nua em site e brinquei de Lingerie Day na primeira edição desse treco no Twitter. E não era feminista. Mas eu aprendi coisas e mudei de ideias (mesmo que ainda continue sendo julgada por aquelas ideias e ações de 10, 15 anos atrás) e li Lucia Etxebarría e descobri coisas novas. E mudei.

Há quatro anos eu era morena, tinha cabelo crespo e mega curto. Agora tenho louro, liso e comprido e às vezes rosa. E acho que tudo bem, afinal, cabelo é igual grama: cresce. Cabelo é pra brincar. Se ficar ruim, muda, uai.

Ah, eu também era jornalista, tinha uma carreira e tal, fui editora de jornal, revista e blog, fui gerente de projeto. E cansei de ser jornalista. Agora eu não sei muito bem o que eu quero ser, mas, quer saber? Tudo bem. Mesmo que eu não saiba muito o que fazer agora, ter a liberdade de mudar de ideia – e voltar a ser jornalista, se eu quiser ou não, – é um pouco reconfortante.

Mas mudar nem sempre é reconfortante e fácil. Ao contrário, é complicado e muitas vezes, cheio de culpa. Como eu posso ser feminista e participar do Lingerie Day? Como eu posso querer ter filhos uma hora e não querer na outra? Como é que agora eu digo que fico ótima de amarelo se há dois meses eu detestava amarelo? Como eu posso mudar de ideia se isso vai comprometer minha – oh, tão importante – coerência?

Walt Whitman

A coisa mais bacana que aprendi no meu último emprego no Brasil, em que eu tinha um chefe incrível (beijo, Pedro!), era que: tudo bem mudar. Tudo bem tentar algo diferente, não dar certo e voltar atrás. Tudo bem mudar de ideia. Errar faz parte do caminho. Quantos bolos errados você faz até acertar? Quantos textos até acertar o tom? Quantos delineados gatinho errados? Levei 38 anos pra aprender o meu e errei muitos. E continuo errando, depende da pressa. Muitas vezes, pra ser bom em algo, a gente precisa ser ruim. Aí vai treinando, mudando o jeito de fazer, melhorando, até acertar.

Ainda acho que a vida não é sobre se desculpar pelas escolhas erradas e ruins que você faz: é sobre tentar dar o melhor de si e acertar sempre que possível. Mas nem sempre a gente acerta de primeira e, mais do que isso, às vezes consegue exatamente o que queria e diz “putz, acho que nem era isso”.

“Tudo bem mudar de ideia”. Tudo bem. Mesmo que você não seja coerente com o que escreveu/disse/fez ali atrás. Pessoas mudam, o mundo muda. Seja livre.