tirando a tralha

nesses últimos dias ando lendo um monte sobre organização  (da casa, do armário, da agenda, da vida) e uma coisa que todo mundo concorda é que é muito mais fácil ser organizado e feliz sem tralha na vida. tem algumas coisas que eu sou completamente desapegada e consigo não acumular com facilidade – se tá parado, sempre separo roupa e sapato pra doar (e como eu não compro muito, meu armário até que é bem enxuto) e só consigo funcionar com a casa em um estado mínimo de ordem.

mas tem uma coisa que eu tenho uma dificuldade séria pra desapegar: música. desde quando eu era pequenininha, essa sempre foi uma das minhas grandes paixões. quando eu tinha lá uns 14 anos e comecei a moldar meu gosto musical (ou seja, comecei a ouvir a tríade sagrada de Strokes/YYY’s/White Stripes), eu não tinha computador e não tinha como achar muito do que eu gostava – apesar do meu pai ter uma loja de discos, 98% do que eu gostava não chegava nem perto das prateleiras do Brasil, quem dirá do interior do Paraná. o que chegava, eu comprava aos pouquinhos ou ganhava de presente do meu pai, e até hoje tenho todos os meus CDs originais guardadinhos. é raro eu escutar alguma coisa, mas é impossível pensar em me desfazer deles.  isso é uma parte do problema, mas na verdade uma caixa de sapatos já dá conta de guardar todos numa gaveta, então nem considero isso um acúmulo ruim.

o probleminha é que quando eu finalmente pude começar a encontrar as bandas que eu gostava (ou às vezes nem gostava tanto mas pelo menos queria conhecer o que tava ~rolando na época), eu comecei a virar uma acumuladora de mp3. não é uma coisa tipo o acumuladores do Discovery Home and Health – eu sempre fui neurótica por deixar minhas músicas com os nomes de arquivos bonitinhos, tudo organizado em pastinhas e tal. mas dando uma analisada nos mais de 30 gigas de música que eu tenho, eu percebi uma coisa muito simples:

sabe, eu gosto muito de música e já fui louca por descobrir novas bandas, mas o fato é que hoje em dia eu escuto bem menos coisa. eu sempre fui disciplinada (olha o nível do TOC da louca) de que se eu tenho alguma coisa no computador, eu tenho que ter escutado pelo menos uma vez. ah, e se é um disco inteiro, tenho que respeitar a ordem e número de músicas que o artista decidiu que era cabível pro disco, dezulivre apagar alguma coisa e deixar o disco “errado”. mas isso não significa que eu escutei de novo e isso não significa que eu tenha gostado de todas as músicas. e isso não faz sentido.

então eu comecei a fazer uma limpa quase espiritual aqui. porque bem, eu gosto de Wilco mas eu não preciso de um disco inteiro deles fazendo covers de músicas que eu nem gosto. eu não vou perder meu ~street cred se eu finalmente aceitar que eu acho esse primeiro disco do Beulah um saco. eu curto Cat Power mas eu não preciso de um monte de música ao vivo com qualidade de bosta porque é ~raridade. eu amo Regina Spektor mas eu não preciso deixar aquela bosta de música que eu sempre passo no meu computador (se livberte também, Debs). tem uma música do Ben Kweller que eu gosto mas eu não tenho mais 15 anos e não preciso ter o disco inteiro pra nunca escutar. não, eu não preciso da discografia completa da PJ Harvey se o fato é que eu gosto de cinco músicas. e nossa, eu pude finalmente apagar sem dó aquele disco de bosta que o Band of Horses  lançou esses tempos.

então aqui estou, sentada ouvindo faixa por faixa dos discos que eu não tenho certeza absoluta que eu amo todas as músicas. se tem três faixas que eu gosto e o resto é uma bosta (olá, Arctic Monkeys), eu apago tudo sem dó e deixo só o que eu gosto. pode parecer uma coisa bobinha, mas eu to achando isso terapêutico: eu passo o tempo todo com música ligada, não faz sentido que eu tenha sempre as que eu mais gosto por perto? acho que começando por uma coisa pequena assim, fica mais fácil aplicar pro resto – roupas, tralha da casa, relacionamentos, livros. a vida é tão curta, pra que eu vou desperdiçar com alguma coisa que eu não gosto?

ps1: acho que minha maior alegria foi “consertar” o Revolver tirando Yellow Submarine.

ps2: também to bem feliz por tirar a tralha e redescobrir coisas que eu gosto muito e quase nunca escuto, tipo isso aqui:

 

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2 pensamentos sobre “tirando a tralha

    • véi, bem na boa, que merda de lsd estragado com cocô de vaca que eles tinham tomado pra achar que yellow submarine cabia antes da SUBLIME she said she said? não faz sentido! :p

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