Eu achei que fosse a Dory

Desde que foi lançado, Procurando Nemo virou um dos meus desenhos favoritos. No nível de saber as falas de cor, e mesmo depois de anos sem ver, ainda falo junto com o desenho. E minha identificação sempre foi com a azulzinha Dory, meio lesada, desastrada, com “perda de memória recente” e sendo fofa e leal o filme inteiro.

Mas esses tempos assisti pela milésima nona vez, e percebi que não. Que eu sempre me enganei, e estive muito mais pra Marlim: chata, medrosa, crica, preocupada. Levando a vida de uma forma tão pesada, sem espontaneidade e com mil regras – que muitas vezes nem fazem sentido.

Aí eu percebi que isso cansa. Cansa quem tá por perto e me cansa, também. Que eu não me permito fazer bobeiras, criancices, pular no topo da água viva (mesmo sabendo que ali não queima. Continuo me preocupando com os tentáculos). E como isso pesa. Me sinto com uma alma idosa, pesarosa, sem felicidade genuína.

Mas só pensar, refletir e sofrer não leva a lugar algum. Aos pouquinhos tento me soltar, dizer mais “sim” e levar a vida de forma mais leve. Os resultados?

Fui para o estádio de futebol sozinha – eu, que morro de medo de andar duas quadras e ser assaltada e odeio o centro da cidade e muvucas e etc. Eu, que entro em pânico no centro da cidade. Eu, que na primeira noite em NY deixei a câmera no hotel com medo de ser assaltada (pra dar de cara com pessoas usando seus Macbooks no metrô).

Estou de unhas azuis, mas um azul feliz. Porque chega de unhas escuras e chatas (de cinzento já basta o céu de Curitiba no inverno).

Esse final de semana vamos para a praia (!) com a família do marido. É, praia. Eu. No inverno. Um final de semana. Mas né? Dizer mais “sim” faz parte do tentar – e por incrível que pareça, minha intuição diz que vai ser bom.

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O que é ser mulher

Tem um dia na nossa vida que a gente pergunta pra mãe qual a diferença entre ser mulher e ser homem. Mamãe diz que é que menino tem piu-piu e menina tem pombinha. Mamãe mentiu. Isso é só uma diferença biológica, isso nem é tão importante assim e pode ser que um dia você chegue a conclusão que tendo piu-piu se sente mulher e tendo pombinha se sente homem. E não tem problema.

A gente tá meio longe, mas o dia 08 de março vai chegar. Vai chegar com todas as suas baboseiras. Algum idiota vai postar um parabéns por ser mulher, dizendo que você é mãe, profissional, dona de casa, amiga, esposa, cacete aquático de rodinha multitarefa e que merece parabéns. E daí ele vai te dar um bombom ou uma flor. E você vai se sentir ingrata e mal educada se não fizer cara de feliz. Isso é um pouco mais próximo do que é ser mulher. Mas eu vou contar pra vocês algumas vezes que eu fui mulher na vida.

– Todas as vezes em que meu marido fez uma cagada e algum familiar me aconselhou a não ficar brava porque isso poderia diminuí-lo, eu estava sendo mulher. Eu estava sendo mulher porque quando eu faço cagada eu preciso assumir. Porque se eu fosse homem eu poderia fazer o que quisesse – a maior preocupação da sociedade com um homem é em não desmasculinizá-lo (pode dar caca, ele pode ficar nervoso e ir embora e sendo solteira aí de mim).

– Todas as vezes em que meu pai me deu uma bronca sobre minha roupa quando eu era adolescente ou me mandou fechar a perna aos cinco anos de idade porque algum psicopata poderia interpretar errado o fato de uma calcinha de cinco anos de idade estar sendo exibida. Se eu fosse homem, poderia sentar até do avesso. Meu pinto ia ser orgulho. Mas como sou mulher, tenho postura certa pra tentar evitar ataques (que não evitam merda alguma).

– Uma vez eu estava numa balada e um cara tentou me agarrar a força. Eu entrei em desespero e instintivamente procurei meu namorado, que não estava a vista. Eu tenho certeza que ele não estava sendo agarrado a força, porque é homem. Este é um presente reservado às mulheres. Eu também fui mulher porque tive que convencer o idiota que não era legal me agarrar. Eu tive que convence-lo que eu não queria. Dizer “eu não quero” nunca foi o suficiente.

– Eu fui mulher um dia em que me assaltaram e eu não reagi porque me ameaçaram levar mais do que dinheiro. Homem só tem dinheiro. A gente tem honra. É um privilégio feminino ficar aliviada quando só te levam o celular.

– Um dia eu fui mulher quando trabalhei numa empresa de tecnologia e, toda vez que comentava isso, ouvia “nossa, que diferente, mas você entende disso?”. Fui mulher também porque meu supervisor conversava comigo como se eu tivesse necessidade de auxílio especial e sempre terminava falando “as meninas geralmente tem mais dificuldade mesmo”.

– Eu fui mulher quando uma chefe mulher me deu uma bronca por conversar demais no trabalho e disse “é por causa disso que eu não gosto de contratar mulher, vocês não calam a boca e não tem seriedade”.

– Eu fui mulher assistindo a outra mulher quando um chefe aconselhou uma colega de trabalho, ~meio na brincadeira, a ir a uma reunião de decote pra agradar o cliente. Nunca pediram pros meninos irem sem camisa, engraçado.

– Eu já era mulher quando era criança e tinha muita dificuldade em me conectar com meu pai por ser mulher. Isso porque existia um objeto sagrado em casa chamado videogame que, por algum motivo, não era pra mim. Meu pai pedia pra eu sair do quarto quando ele jogava com meu irmão porque eles iam falar palavrão (meus ouvidos, vocês sabem, podiam derreter ao ouvir palavrão pois eu era me-ni-na). Eu nunca aprendi a jogar videogame direito porque não tinha com quem jogar – eles não jogavam comigo porque eu era café com leite. E eu sempre gostei de videogame, mas nunca fui convidada pro clube do Bolinha. E aí eu fui mulher porque, pela primeira vez, me senti burra o suficiente pra não fazer parte de um clubinho especial.

– Eu sou mulher toda vez que numa roda de amigos os meninos fazem piadas sobre gastar muito em sapatos ou em bolsas e em como é difícil ser um homem e sustentar tudo isso. E aí eu olho em volta e vejo que todos são casados com mulheres que trabalham fora.  E eu também sou uma mulher sendo cobrada quando esse mesmo grupo acha engraçado, logo em seguida, rir da baranga que não se cuida. A mensagem é clara: não fique assim, você me incomoda se for feia.

– Aqui em casa temos uma moto (do Malk) e um carro (meu). Ambos são igualmente dos dois, mas eu não tenho carteira de moto então fica definido que o carro é primeiramente meu. Mesmo assim, mesmo que eu chegue de carro sozinha e pilote sozinha e encha o tanque sozinha e leve para revisão sozinha, sou mulher. Então sempre que as pessoas vão dar um conselho sobre peças mecânicas ou uso de gasolina, olham para o meu marido e falam “faça assim ou assado” porque eu não devo saber dessas coisas. E é óbvio que eu nunca vou saber porque não me ensinam.

– Eu sou mulher também porque sempre que alguém precisa de veículo emprestado pedem a ele (exceto minha melhor amiga que nasceu com a capacidade de não ser babaca). Eu sou mulher quando não tenho direito sobre minhas propriedades tanto quanto meu marido. Uma vez me disseram que só iam usar o meu carro se meu marido deixasse, porque era uma questão de respeito.

– Eu sou mulher quando me falam que eu deveria ficar aliviada que meu marido é bancário e esquecem que eu sou dona de uma agência aos 26 anos e trabalho pra caralho pra pagar as contas junto com ele e que qualquer um de nós conseguiria segurar as pontas caso o outro perdesse o emprego.

– Eu sou mulher quando, em todos os restaurantes, os garçons não me dão bom dia, não me entregam o cardápio primeiro, não me entregam a conta e, como o cartão está sempre comigo, eu tenho que puxar da mão do marido. Mas deixam eu escolher onde sentar porque sou frágil.

– Eu sou mulher quando meu marido que tem colesterol alto pede um prato light e eu, que odeio prato light, peço um X-Bacon. Sempre vem trocado. Eu deveria estar de dieta, eu deveria estar não sentindo prazer em comer mesmo quando saio exclusivamente para buscar prazer em comer. Meu serviço é ser olhada.

– Eu sou mulher quando preciso me questionar se uma saia está muito curta, se um vestido está muito decotado e o que isso quer dizer, mas se cobro alinhamento do meu marido escuto “aff, que frescura, é só um almoço de fim de semana”.

– Eu sou mulher quando não posso me sentar confortavelmente porque isso não é coisa de mocinha.

– Eu sou mulher quando tenho mil jobs pra fazer e aguento gente escrota me falando que seria bom eu parar de trabalhar no máximo às cinco pra esperar ele com a janta pronta.

– Eu sou mulher quando escuto conselhos sobre trabalhar arrumada mesmo que em casa, não esquecer a depilação e as unhas e não descuidar só porque casei porque a chama pode apagar. Nunca vi alguém dizer qualquer coisa equivalente ao meu marido.

– Eu sou mulher quando ganho um Chronus de presente de 25 anos de idade.

– Eu sou mulher quando o fato de eu não saber cozinhar é uma piada associada com “coitado do marido dela”. Porque aparentemente eu tenho obrigação de nutrir o próximo, é algo associado à vagina, parece.

– Eu sou mulher quando escuto pelo menos três vezes por mês “o que você vai fazer com a agência se o Malk for transferido?”, embora o Malk nunca escute “como você vai recusar quando for transferido?”. Supostamente, quem larga o emprego sou eu. Não, não é porque o dele é mais seguro. As colegas dele sempre escutem coisas do tipo “você vai largar o emprego quando engravidar?” então, aparentemente, ser bancário não é tão importante assim.

– E eu sou mulher porque eu sinto medo. Eu sinto medo de sair de casa, eu sinto medo de existir. E esse medo está tão internalizado que é comum. E é tão comum que é esperado. E é tão esperado que é como se não existisse. E embora você saiba que todas nós mulheres temos lugares onde não podemos andar, horários em que não podemos sair, que não somos livres, que nos sentimos perdedoras se não casamos, que suportamos tanto, tanto, tanto… se você fala nisso é fresca. Se você fala que sente esse peso, é feminista louca. Esperam que você sinta, não que reclame.

– E eu sou mulher porque o mundo nunca foi desenhado pra mim. E eu deveria supostamente gostar disso.

Então não confundam as coisas. Eu sou mulher e tenho orgulho. Muito orgulho. Muito mesmo. Mas eu não sinto felicidade por isso. Ser feliz por ser mulher é ser feliz por ter nascido com um desafio a mais, por jogar no nível hard o tempo todo. Não, eu não quero ser homem, mas eu não quero jogar no nível hard enquanto tem gente que joga no easy a vida toda. Não é justo.

Então, meu amigo, faz assim olha: lava a loucinha da pia sem sua esposa pedir. Para de fazer piada escrota sobre comprar sapatos. Para de ser babaca. Isso sim é um presente. Porque se no dia oito de março você me vier com flor e bombom e “Parabéns”… “Parabéns por aguentar essa merda que eu te faço passar, você é uma guerreira por se submeter a mim”? Amigo, enfia o bombom no cu.

Obrigada.

quando o pinterest chega perto

aí que junto com o meu processo estúpido de fazer uma parede estampada, eu também quis fazer uma parede com quadrinhos. aquela coisa que a gente vê em todo blog/pinterest/casa de gente legal e que é totalmente “fazível” e meio difícil do resultado não ficar legal.

novamente, fui munida de informações e dicas que a incrível Emily Henderson deu nesse vídeo aqui:

e aí, como sou rebelde, deixei de seguir várias recomendações. meu maior quadrinho (que na verdade era uma almofada) ficou bem centralizado, mas eu escolhi fazer isso pra ter um guia melhor pra depois compor com os outros,e eu tenho um quadro maior que preciso emoldurar e pretendo pendurar do lado esquerdo – ou seja, eu não segui a regra, mas vou no futuro! sou um gênio do planejamento.

parede de quadros julia

 

os quadrinhos da parte de cima são quase todos lembranças da família do Jorge (eu adoro a pintura de pato!), aí misturados tenho alguns cartões postais que recebi de amigos ou comprei em viagens, além de alguns quadrinhos que o Jorge comprou na Suécia e na China – mas quem estamos enganando, a gente ama mesmo o unicórnio e o gatinho listrado.

a gente ainda tem algumas coisas pra emoldurar e incluir na parede, e a ideia é ir aumentando com o que a gente bem entender – como a Debs me disse uma vez, a ideia é deixar bonito e fazer aos poucos, já que a Casa Claudia não vai aparecer de surpresa pra fotografar minha casa e não vai ficar decepcionada se tudo não estiver absolutamente alinhado e perfeito. e né, o que importa é que por enquanto to apaixonada pela minha parede de quadrinhos 🙂

 

Cabelo enrolado, aceitação, a Beyoncé, yadayada

Um dia eu escrevi um puta de um texto sobre cabelo enrolado no Facebook, sobre como a aceitação desse cabelo é difícil. Desde pequena a gente ouve que tem cabelo bagunçado, que tem que pentear, que isso, que aquilo.

É claro que os comentários envolveram opiniões dizendo que eu tava exagerando, que era só cabelo e tudo mais. É claro que eles sempre vem de quem tem cabelo liso ou no máximo ondulado.

Ter cabelo enrolado é ser parente de preto. Ser preto não é algo considerado muito bom em boa parte do mundo. Aparentemente, a gente ainda pensa irracionalmente e acha que o caráter pode ser definido por quanto meu cabelo chacoalha ao sabor do vento ou por como meu corpo produz melanina.

O racismo está aí, ele tá ali na esquina. Ele está esperando, ele vai te pegar. Não importa quem você seja, e, mesmo nesse mundo dinheirista de merda, não importa quanto dinheiro você tenha, não importa nem se você ainda nem sabe falar e entender a merda que o mundo é. O racismo tá ali na esquina te esperando pra te botar na linha na primeira oportunidade.

blueivycarter

O mundo é uma grande massa de bosta. E se ele não perdoa uma criança tão celebrada quanto a Blue Ivy, por que ele vai me perdoar? Hoje eu pensei em fazer escova de novo.

Vi aqui.

orange is the new black, a mídia e as mulheres

ontem eu assisti um documentário que qualquer pessoa minimamente interessada em feminismo deveria ver e depois sentar no cantinho da reflexão.  “miss representation” não chega perto de ser perfeito, é claro, e faz um recorte muito específico da grande mídia norte americana, mas tem muitos pontos que são facilmente transportados para a realidade brasileira. as mulheres da política de lá são ou tratadas como brinquedos sexuais ou barangas inúteis (críticas ao visual da Dilma, alguém?) e são desqualificadas como boas profissionais por serem emocionais (mesmo quando não são) – lembram do caso da deputada Manuela D’Ávila?

enquanto quem prefere se fingir de cego diz que a luta de gênero já acabou e esse negócio de feminismo não é interessante, meninas são estupradas todos os dias e têm imagens liberadas na internet, e continuam ouvindo que a culpa, bom, a culpa é delas, tavam pedindo com roupas curtas/bêbadas/perto de meninos que não sabem se controlar.

mas uma das questões que mais me chamou a atenção no documentário é que os grandes estúdios não se interessam em contar histórias de mulheres – normalmente filmes ou séries focadas em mulheres que não sejam especificamente sobre problemas com homens ou dramas amorosos são ignorados porque supostamente não dão retorno. numa época em que todo e qualquer personagem de quadrinhos vira filme com recorde de bilheteria, vocês já repararam que não tem filme da mulher maravilha? faz tempo que o tal filme virou lenda, já que os estúdios adoram dizer que histórias que mulheres fortes não chamam a atenção do público masculino – embora ele seja menor que o público feminino, ainda é considerado prioritário.

é engraçado que, por mais que isso tudo ainda seja uma realidade bem presente (e que geralmente mulheres heroicas são representadas com mais superficialidade que os personagens masculinos), dá pra ver essa “regra” caindo aos poucos.  orange is the new black, do abençoado netflix (que libera a segunda temporada inteira hoje!), é uma série que sai da caixinha óbvia do que “deveria” ser uma série feminina. tem competição entre as mulheres, tem problema com homem, mas é tudo mostrado de uma forma muito mais orgânica e real do que qualquer outra série. as mulheres não são bonecas de plástico perfeitas, loiras e sem vontade própria.

vá culpar minha tpm lá na pqp

vá culpar minha tpm lá na pqp

a gente encontra ali personagens bissexuais, trans (feita por uma atriz trans incrível, coisa rara ainda), jovens, gordas, hispânicas, mulheres de meia idade, negras, todas lutando por um espaço e procurando algo que seja importante  no meio daquele caos. tem amizade de verdade, tem treta de verdade, tem situações que a gente consegue relacionar com a vida real – sem cair naquele clichê que já demorou pra cair que mulher é inimiga de mulher.

crazy eyes cansou desse papinho furado

crazy eyes cansou desse papinho furado

até me emociona ver uma série tão bem feita, com personagens tão bem construídas, fazendo tanto sucesso. e mais legal ainda é ver quantos homens eu conheço que acompanham e gostam da série. porque é uma boa série, com uma boa história, com bons personagens. não precisa de muito mais que isso, mas parece que o negócio ainda tá pegando no tranco, né? pelo menos começa a pegar.

ps1: pra quem quiser assistir o documentário, tem uma versão legendada aqui. não encontrei com qualidade melhor, infelizmente.

ps2: o documentário usa várias cenas de mad men pra falar sobre a representação da dona de casa perfeitinha e tal, mas sempre achei que a série é muito boa ao representar as mulheres. esse texto fala melhor sobre isso e essa última temporada mostra que a mulherada não tá ali de brincadeira.

Bonitezas para deixar o dia mais alegre

Ando pensando muito em fazer um post aqui falando sobre “como caí no vício do AliExpress”, da ligação que as compras de $5 dólares têm com minhas atuais frustrações e de como você pode encontrar qualquer coisa nesse site maligno.

Aí hoje eu cheguei no trabalho e, ao menos até agora, não fiquei pendurada no Aliexpress e descobri outras coisas fofas pra embelezar o dia. Obviamente elas não custam $5 doletas, mas ver coisas bonitas sempre me inspira e hoje eu moraria nessa casa aqui usando coisas como essas:

Brincos de nuvem

Ou essa:

Bule

 

São de uma designer de joias chamada Glau Pietrobon e eu cheguei nela dando um Google no link de um link de um link e… Well. Precisa ver a linha dela de casamento, que pitchulina. ❤ E não é da China hahaha

*Suspiro*

Sobre Reformas

Eu me mudei da casa dos meus pais para a minha casa (e do marido, ou seja, nossa casa) faz uns 8 meses. Compramos um apê bacaninha, com um espaço razoável, mas que precisava de uma boa reforma. Como bons trabalhadores brasileiros, decidimos ir fazendo aos pouquinhos por falta de $tempo$.

Nossa prioridade foi o nosso banheiro, já que é algo tão íntimo e que precisa estar sempre bem limpinho. A cozinha, que também se encaixa nesta classificação, estava ok, só precisa trocar o piso.

O grande problema da casa são os móveis. A casa só veio com os armários da cozinha e guarda-roupas nos quartos. Só que os guarda-roupas são horríveis, sem aproveitamento do espaço interno. Coisa da época de que guaraná tinha rolha, sem gavetas ou prateleiras para organizar.

Meu sonho:

guardaroupas

Daí beleza, resolvemos que vamos fazer um guarda-roupas novo para o nosso quarto. Mas como vai ser planejado and embutido, precisaríamos trocar o piso, que por enquanto dá para o gasto, mas não é exatamente o que a gente quer.

Só que aí começaram nossos reais problemas, já não dá para trocar o piso só do quarto, teria que trocar da casa inteira, porque lotes diferentes podem ter tonalidades diferentes. E trocando o piso da casa inteira, teríamos que fazer os armários dos outros dois comôdos, porque os velhos teriam que ser retirados e pelo estado deles, seria meio impossível conseguir montá-los novamente de um jeito que ficasse digno.

Acabei me conformando com isso:

organizador

Enfim, o sonho da reforma se limitou a uma ida à Casa China, para a compra de organizadores de guarda-roupas.

Desejo do Dia

Lembro que em uma das primeiras vezes que entrei no Westwing (se não conhece, não entre, vai ser o fim da sua vida, depois não diga que não avisei), fiquei apaixonada por uma mesinha lateral de urso. Naquela época não tinha minha casa, e ela não encaixava na dos meus pais.

urso

Campanhas começavam e terminavam, e volte e meia a tal mesa de urso aparecia de novo. Mas me segurava e não comprava, afinal, onde iria enfiar uma mesa de urso.

Uns 15 dias atrás, conversando com o maridão, resolvemos que precisamos de mesinhas laterais, porque não temos onde colocar bebidas e petiscos enquanto estamos no sofá, já que o rack fica a 1 metro do nosso sofá, e ninguém merece ficar levantando o derrière o tempo todo. Mostrei a imagem da mesa e concordamos em comprar a dita cuja quando aparecesse de novo.

Por conta da correria, fiquei uns dias sem entrar no site. E quando entrei hoje, lá estava a minha mesa de urso. Esgotada.

Por isso, nunca entrem no Westwing, vocês não precisam sofrer.

Casas em que eu queria morar, parte 2

Tem visita, tem jantar pra fazer, um frio maior do que as taxas de corrupção em países de terceiro mundo e eu correndo pra lavar louça e arrumar casa assim que terminar esse post enjambrado após um comprido dia de trabalho.

Mas isso é na vida real.

No meu imaginário hoje esta é minha sala.

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Sim, eu misturo perfeitamente os padrões de estampas, sou ótima.

Vi aqui, onde vocês também podem ver os outros cômodos e sentir vontade de morrer junto comigo.

sonho de vida

você conhecem a emily henderson? não é por nada não, mas se não conhecem, abram lá o blog dela e babem um pouquinho. ela é uma stylist que faz as decorações mais incríveis, coloridas e felizes que eu já vi nessa vida – e ela ainda tem um canal no youtube em que ela dá dicas de decoração muito legais e úteis (mesmo pra gente como eu, que não nasceu na vida de pinterest)!

o último post do blog dela me deixou bem louca – ela fez a reforma de um abrigo de gatinhos que, bem, eu não teria problemas de morar lá. o que eu mais gosto nessa vida são gatinhos (ok, eu gosto de comida tanto quanto eu gosto de gatinho, mas eu gosto mais de batata do que de estudar) e o espaço todo que ela fez é absolutamente lindo  – azul + laranjado, amor eterno, mas esse papel de parede de gatinhos (*gritinhos histéricos*) me fez repensar as minhas decisões de vida e por que eu não tenho essa cozinha:

MEOW-wall-art emily henderson

MIAU, MOTHERFUCKER

acontece que esse papel de parede está à venda aqui por 165 dólares. pensando seriamente em fazer um crowdfunding pra forrar minha casa inteira com isso.